domingo, 4 de maio de 2014

samba

'os melhores sambas
são sempre tristes'
você me dizia

e se pudéssemos
fazer um samba
como seria?

se a infelicidade não combina
com nossa companhia




quinta-feira, 24 de abril de 2014



depois daquele beijo que nos separou

eu de um lado:
Consolação

você de outro:
Paulista

restabelecemos a forma
usual dos paulistanos:
a solidão

e com ela tentamos fazer um filme
com fragmentos de tantos outros,
mas faltam os vinte quatro quadros
no mesmo segundo
para nos por em movimento
e alguém lá no fundo gritar
"AÇÃO"

para podermos atuar
nas ruas dessa cidade
- que nos lembra tantas outras -
e fugir como clandestinos de um amor subversivo
encontrando nos prédios
do século passado
um refúgio num tempo
que não é nosso

(e nesse momento sua preguiça
nem se lembra
que eles não tem elevadores)


terça-feira, 22 de abril de 2014

sabe,
inevitavelmente,
um dia você me odiará

e eu só quero que você se lembre:
que eu confio
e acredito
em você.

mesmo que talvez, eu
desconfie
(como naquele dia que você me disse que seria possível, mas eu não confiei.)
ou então
desacredite
(como naquele momento em você me disse para acreditar, mas eu não acreditei)

sabe,
a culpa será minha,
mas
mesmo assim,
não ligaria do seu ódio por mim.

porque qualquer sentimento
é melhor que sua indiferença

e ser percebido por você
(seja bom ou ruim)
é importante pra mim

sabe,
dizem que dar presentes é uma forma de criar vínculos.

.
....................................................................................e esse é o meu presente
.
.
pra você.



sexta-feira, 7 de março de 2014

anotações

a distância nos assegura
que não iremos nos machucar
nem despencar num abismo qualquer

porque;
hoje;
se quer;
amanha;
talvez não;

e não é necessária nenhuma obrigação
para ter
sua companhia

porque eu sei:
você prefere ficar sozinha

nisso não vejo nenhum problema

ao menos
me rende
mais um poema

sábado, 8 de fevereiro de 2014

um poema para você viver

falamos por meio de poesia
e mesmo eu não sabendo
o que queria
você me dizia:

(por meio de versos)

"José, querido,
o mundo é
tão perverso
que não podemos desistir."
E logo depois desistíamos
sem ter pra onde ir.

A solidão -
companheira inseparável -
nos pega numa tarde qualquer
de qualquer lugar do Brasil
e nos mostra a perversidade

(que tanto nos diziam que
existia
sem nunca tê-la contemplada
de frente
tão evidente)

sem poder imaginar
que sob esse céu azul sem nuvem
pudesse existir tanta fome.

domingo, 15 de dezembro de 2013



A fumaça que sai da sua boca
se confunde com o ar de São Paulo

Nessa noite
tardia
a única estrela que resta
está em suas mãos
Tem cor de fogo e despeja cinzas
anunciando o seu fim

tudo isso compõe uma imagem
que veermer
gostaria de ter pintado

esse belo quadro
tem o contraste do seu corpo
com o amanhecer

*

a gravura não captaria
-mas sabemos-
havia passaros
cantando nossa sinfonia

da fotografia
que queria
fiz poesia

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

pombinhos

Para o amor, de fato, não existe espaço
até em cima de uma marquise de um prédio histórico
um casal
sem vergonha
de pombos
transa

se nisso há muito exagero
há também muita coragem
maldade

E mesmo uns gritando para pararem,
eles não param.

Porque só de você mandar
já dá vontade de desobedecer