terça-feira, 17 de setembro de 2013

melancolia

deixamos o perdão para o último segundo
e enquanto sol aquece seu corpo moribundo
o tempo esquece que passa
e a vida é só brisa

as lágrimas secam para o enterro
ao irrigar a distância entre nós
não nos reconhecemos como iguais
dos pés calejados, da fala mansa
memórias mortas ressuscitadas
a partir do fim de sua vida

ao seu caixão deixaram flores
que não comprei
mas levam o meu nome

sábado, 31 de agosto de 2013

mim quer fazer poesia,
how can i play?
se eu não sei fazer rima.

how can i do?
se as palavras só me mandam
tomar no cú.

for who i pray?
se deus está de férias
neste mês.

estrofes singulares
versos populares
a próxima poesia
no bolso do operário

que não sabe
inglês,
mas sente
e vê.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013


falar de nós seria um crime
porque não somos uma pessoa
porque não somos plural

o incomodo separa em dois
o pouco que resta
da possibilidade de aturar um ao outro
que se dissipa na estupidez de apenas um

ato unilateral
sem celebrações
ou avisos
que põe fim as pertubações

tu se afasta
eu me recomponho
e a vida ainda é a mesma
do que aquela
na praia
onde as crianças jogavam bola
onde a vontade ainda era proibida
onde eu olhava o seu rosto
e não sabia o que queria.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

o incêndio lá fora
nos avisa que é dia
e a chama entre nós
- já consumida -
não nos ameaça agora

não há fumaça
no fogo anunciado
pelos vidros alaranjados
não há vestígios
nem odor
só a cama desarrumada
é o nosso presságio de destruição

logo, o incêndio se dissipa
(mas ainda estamos vivos)
e a cortina entra na sua hora sombria
que evidencia a sua inutilidade.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

que deus tenha misericórdia de nossas almas

O mundo fede a merda
e somos obrigados a cheira-la
todos os dias

(E acabar com isso é;
para deus,
um pecado.
para a lei,
um crime.)

e viver nesse sufoco
é o verdadeiro motivo
do nosso primeiro choro.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O Sobrevivente

vejo-te inutilmente
tentando encher uma garrafa
numa poça rasa

poderia,
com o mesmo fracasso,
tentar se afogar.

mas sua miséria
nos mostra
que é melhor tentar
do que se matar.

domingo, 2 de setembro de 2012

Agora

O amor feito na hora
não espera
o outro lá fora
não respeita
as palavras escritas
não cumpre
as promessas ditas.

O amor feito na hora
celebrado
sem consenso
imposto
ou
dividido
devido
pelos impulsos que movem 
o que não devemos

O amor que chega atrasado
com medo do espetáculo
com pressa de terminar
antes mesmo de ter começado.