terça-feira, 5 de abril de 2016

elegia ao 457




nos encontrávamos em frente ao cesar park 
ou na barraca do pelé 

jogávamos vôlei 
e perdíamos 
mas nem ligávamos 
porque a brisa soprava 
leve 
e a água gelada nos refrescava 

no bolso
o dinheiro contado 
para o mate 
e a passagem de volta

nada mais 
pois isso basta para os suburbanos

nós não sabíamos 
nem imaginávamos 
mas éramos felizes 
com o 457. 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

a alegria é curta:

igual a
acender um fósforo

que logo dissipa a chama

e só resta a fumaça
que anuncia
tardiamente
o calor

(ou amor?)

que ali esteve.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

455

Não sei se me enjoaria 
Se andasse todos os dias 
Nesse trajeto 
Meier x Copacabana 

Na enseada de botafogo
O pão de açúcar nos espreita
E o cassino da urca
E a blitz da polícia militar 
nos lembra que aquilo não nos pertence. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sem folego.

Em francês, nouvelle vague, significa "a nova onda". Dizem também que foi  um movimento artístico do cinema. Outros dizem que é uma banda francesa, de bossa nova. Pouco importa. Para mim nouvelle vague é você só por eu gostar do jeito como você me diz essas palavras. Só por eu gostar do jeito em que me olha, com a mesma leveza em que Godard segura a câmera. Não usa tripé. Utiliza-a nas mãos com a liberdade que só a mão provém, do mesmo modo em que em seus olhos eu encontro seu coração com todo o amor que ele, naturalmente, ordena.  

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Você observa os carros passando
em cima da passarela 27 da avenida brasil

de um lado o fluxo é bom 
- anuncia o rádio - 
do outro
nem tanto. 

Pensa em se jogar. 
Mas não faz. 
Os pés não se movem. 

Não é medo ou falta de convencimento. 
É a preguiça de por um fim a tudo isso
que mantém os pés no chão, como âncoras,

de um barco à deriva. 



quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Pavlos

contam a sua história de três em
três anos
de como entrou na escola de artes
de Atenas, de como ganhou bolsa
Depois outra bolsa
E de como foi à paris em 1958.

Na sua curta biografia
não registram o seu sofrimento.
Ou aquela vez em que perdeste
talvez por um motivo
banal.
Ou qualquer outro plano desperdiçado.

À primeira vista,
não conseguem explicar
 - em poucas linhas -
como um homem
sem tantos fracassos
Pode fazer esse quadro:

do guarda roupas IV


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Só

A solidão é uma dor 
que acostuma 

pior é ser jogado 
de
     um
           penhasco 
E estar em constante queda 
com o pavor da chegada ao solo

A solidão ao menos é sólida em sua dor

dizem que é melhor estar só 
do que mal acompanhado
pois é
a má companhia é
exatamente 
essa que - sem dó -
te empurra.