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terça-feira, 2 de março de 2010

Novas Idéias

Caro autor, como é difícil buscar ideias novas. A historia que tu tentas escrever não é original. Essa ideia de um vilão e um mocinho, com a vitória deste último no final, já está velha, diabética quase morta. Ela está na UTI, pronta para entrar em coma. Essa outra Idéia de começar a historia pelo final e depois ir desencadeando o meio com o começo, já está domada, madura. É quase uma dama puta. Vai com quem pagar mais. Não há ousadia, ela está aí pelo serviço, pelo dinheiro. Já terminou a sua fase de luz, da juventude. Não acredita mais em nada. Só quer os vinténs que lhe cabem.
Agora, caro autor, as Idéias novas, que meninas teimosas! Não ficam quietas, não se adequam a nada. Tem que ser educadas, com muita disciplina, rigor. Se não elas ficam frouxas, mimadas. Parir uma Idéia é muito difícil, eu sei, mas cria-las, educa-las, faze-las crescerem e ficarem fortes é o mais complicado. Uma Idéia Original é igual a tudo que é novo. Causa estranhamento, rejeição. Os leitores preguiçosos como sempre não querem incomodar a sua vista com algo que não é comum. Eles querem letras grande, palavras conhecidas. Querem velocidade, agilidade. Tudo em um só momento, tudo em um só lugar. Tudo já. Eles preferem e até suplicam por Idéias velhas com quem eles já tem intimidade.
O leitor tem receio de conhecer Idéias novas. Ela já é tímida por sua natureza, pela sua idade. O leitor, homem compromissado e sempre ocupado, já não tem tempo para aprecia-la. Prefere pagar por uma Idéia prostituta do que sentar, conversar e decifrar uma Idéia nova. Os autores então ficam sem saída. Também como as putas, precisam de dinheiro e assim vão perpetuando as velhas Idéias. As meninas novas e levadas, vão amadurecendo, não pelo leitor e sim na gaveta. Vão se transformando como suas primas mais velhas, se vendendo. Sem autor e sem leitor elas não tem saída, somente aceitar as coisas como são e se adequar.
Assim, caro leitor, a culpa é sua. Do mesmo modo que a culpa também é sua autor. Ambos não insistem e as meninas desistem. Acabam também elas, como vocês, se transformando em mais uma puta no mundo para se vender...
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para a primeira nota que lhe estenderem...
pobres
putas.
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Do tamanho.

Indagam-me sobre a extensão dos meus textos. Ora só pode haver dois culpados para isso. O primeiro é o autor, pela sua incapacidade de escrever textos demasiadamente longos, pela escassez de recursos para fazer um grande conto. Tenta pega-las, corre atrás delas, mas as Ideias são rápidas e espertas. Pulam muros. Fogem. O autor cansado, fica com as que consegue agarrar. As vezes as Ideias são feias, fracas e magras. As melhores conseguem a fugir. As piores, e tristes, frequentemente conseguem ser pegas e aprisionadas. Atrapalhadas, tropeçam e se entregam.

O segundo culpado é o leitor. O impaciente leitor. Esse quer tudo pronto, compacto e imediato. Não tem paciente para sentar, ler, apreciar as Ideias cuidadosamente preparadas para ele. Essas ao ver o leitor apressado, fica com vergonha para se apresentar calmamente. Apenas dá um 'oi'. O leitor responde por educação, não mais do que isso, nem sequer senta para conversar. Está com pressa, sempre com pressa.

Assim a extensão dos textos vão diminuindo. Desse modo, as Ideias pouco trabalhadas, não ficam tristes, não há frustração. Ficam apenas sentadas, fumando seu cigarro, esperando a tarde e os leitores passarem.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

caminhada

Um, dois, três, quatro e para! Olha pra um lado, olha para o outro: Não vem carro. Ele continua a caminhada. Um, dois, três, quatro, cinco, olha para uma criança, vê sua mãe, mas não para de andar. Passos rigidos e frouxos. Desvia de um buraco, desvia de um cachorro. E para. Deixa os carros passarem, deixa o onibus passar, deixa as motos passarem. Sente o cheiro de comida, olha para o relógio, está quebrado, olha para o céu - São meio dia e trinta, pensa. Mas pode estar errado, ou não. Acorda estando acordado, atravessa a rua - o sinal está aberto- mas ignora.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Parede

O menino fica ali sentado de frente para a parede branca. Se o leitor quiser, ela pode ser de outra cor, não necessariamente branca. Ponha-lhe um verde se quiser, porém já adianto que escreverei algo triste. Azul também não vai combinar e o rosa, idém. Pinte-a de preta se quiser, porém eu nunca vi uma parede preta. Não sei o por quê que a discriminam tanto, ela é tão mais prática: Não suja e combina perfeitamente com as palavras que escreverei. Pensando bem... preto é uma cor muito pesada. Pesada demais para um simples ato. Deixe então, amigo, um meio termo. O cinza. O mundo é cinza, então minha parede também é cinza.
O menino sentado, lenvanta-se e diz: Pintarei de amarelo!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Das cotas

O que me deixa mais triste nas pessoas, digo, nos ricos, é que de todas as injustiças que existem no mundo, eles só reclamam quando os únicos favorecidos de tudo são os oprimidos. Ninguém gosta de ser ofendido, ninguém. E acredite amigo, nem os negros, nem os pardos, nem os roxos, nem os cinzas, gostam de ser ofendidos. Mas se ainda há discriminação, algo tem que mudar. Cotas para negros é justo. Se há pagamento de pensões para os exiladados e torturados da Ditadura Militar, o sistema de cotas é o mínimo que o governo poderia fazer para reparar os quase quatro séculos de escravidão no país. Os índios, sem comentários, foram praticamente massacrados pela Metrópole. Os pobres, coitados, sofrem, sofrem, sofrem. O Estado não é capaz de oferecer um ensino fundamental de qualidade. Crescem sendo semi-analfabetos. Viram pedreiros, faxineiros, porteiros, quando alguns têm sorte, viram traficantes. Há uma estagnação social absurda. Agora quando o governo faz o seu papel: que é oferecer educação para todos, colocando cotas nas vagas para as universidades federais, há uma discriminação, há uma injustiça! Injustiça é ter criança na rua, injustiça é um ser humano morrer de fome, injustiça é uma cidadão ser discriminado por sua renda, por sua cor. Injustiça é você crescer sabendo que jamais será uma pessoa bem-sucedida.

Ora, uma universidade abre as portas das oportunidades para todos. Você quando vê uma criança do ensino publico, nunca irá imaginar ela como uma médica, ou juiz, ou um engenheiro. Sua visão preconceituosa e distorcida não permite isso. Agora, mesmo você torcendo contra, ela tem pelo menos a oportunidade. Não é que ela vá ser um excelente médico, mas pelo menos ela tem a oportunidade, um instrumento para isso. Não é que esse sistema seja o final de tudo, pelo contrário, é o começo. Apenas o pontapé inicial. Resta o Estado agora reformar o ensino fundamental. Cujo a competência é de esfera municipal. Sendo assim, com uma reforma na educação fundamental principalmente, será desnecessária as cotas. E meu amigo, quando esse dia chegar, o Brasil, de fato, vai pra frente.

Minha classe média, paciência. Eu sei que você, entre todos, é a que vai sair mais prejudicada. Mas por favor, tente entender que vai valher a pena. Com a educação acaba a violência. Esse é o unico remédio para tal. Por enquanto você vai dando seus passeios na Disney...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Chaminé

Caro leitor, repare na fumaça que sai da boca do fumante:
Elavaisaindoesome.....

domingo, 12 de outubro de 2008

Chuva de verão

Cada um vive no seu inferno particular. Cada um vive no inferno que merece. Pergunte para qualquer um: ' Como é a sua vida?' Quase sempre vão respoder que é uma maravilha. Agora peça para que essa mesma pessoa fale sobre a propria vida dela. Ela só vai dizer desgraças. Isso não acontece porque todo mundo só valoriza as coisas ruins, ou pior, que não valorizam as coisas boas. Isso acontece porque a vida é ruim para todos. Não há exceção. Pode até haver alguns minutos de felicidade, mas logo a tristeza vem e pega o lugar que lhe pertence.

Há alguns que dizem que enquanto um ri, o outro chora. Eu ouso dizer que isso está redondamente errado. Nunca vejo uma metade sorrindo e a outra chorando. O certo é que enquanto todos choram, poucos ( sortudos) riem.

O fato é torcer para que o motivo de tanto choro, seja tanto riso.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

moedas perdidas.

Pobres são as moedas achadas no fundo do bolso. Antes fossem ricas notas, mas são apenas moedas. E ficam ali como se fossem um fardo pesado a quem carrega. Aquele barulho insurpotável de metal que não serve para nada. Antigamente elas até valiam alguma coisa, hoje, porém, não valem um pão. Pobres moedas. As notas da carteira são melhores. São leves e maleáveis, e o principal, são silenciosas. Uma simples nota pode valer muito mais do que centenas de moedas.
Imprestáveis trocados que ficam espalhados pela casa, se todas as cem ficassem juntas, até valeria uma boa nota. Porém ficam todas separadas, desunidas. Assim nunca irão valer nada.
Pobres moedas separadas.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Insosso

Como é ruim não poder respirar pelo nariz e consequentemente não sentir o cheiro natural das coisas. Fica tudo tão sem graça, fica tudo tão insosso. Não vale a pena viver sem o nariz.
Sem ele, você até perde seu paladar.(Quem pensa que o paladar é um dom da lingua, está enganado, essa função é do nariz.) Nada mais do que justo! Já que a boca e suas adjacências têm atribuições demais para um indivíduo só cuidar. Repare atentamente caro leitor, é tão ruim viver sem o poder do olfato, que não há ninguém nesse mundo que fique com essa deficiência até a morte. Existem cegos, surdos e mudos. Mas não existe ninguém desprovido de sentir os cheiros. Nada mais do que justo! Pois ninguém aguentaria viver sem o nariz.

Justo, porém, são aqueles que só olham para o próprio nariz. Esses sim, meus caros amigos, sabem o que fazem! Dão exclusiva atenção ao nariz porque têm a consciência da sua importância na vida deles! Nada mais do que justo! Justíssimo.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Teoria dos segredos inexistentes

Preste bem atenção, leitor, que eu só vou explicar uma vez! Não te preocupes com os segredos, porque eles simplesmentes não existem. Repare, se alguem te pergunta: " Tens algum segredo?" A resposta naturalmente deve ser 'não', pois mesmo se fosse uma mentira, você não iria contar assim de bandeija. Não seria capaz de mentir para manter um bom segredo?

Pra que responder com uma afirmativa? Para que depois fiquem implorando para você revela-los? Para que você ganhe mais preocupação? Além do mais é tão simples. Olhe, se só você sabe esse segredo e você não quer contar para ninguém, esse 'fato' simplesmente não existe! Pois não há testemunhas para confirmar. Agora caso esse segredo seja compartilhado, tome cuidado, porque essa negação tem que ser compartilhada. Basta apenas um deslize de uma parte, para que outra pessoa saiba... E como estamos todos interligados em uma extensa rede, logo toda rede saberá. Mas se há confiança, não há o que temer. E o segredo não existirá.

Porém se o leitor replicar: ' Têm alguns segredos que não dá para negar!'. Eu terei que acatar o argumento, pois há fatos que mesmo você negando veemente não deixam de existir. Pegue a gravidez, ponha alguns meses e logo ela mesmo revelará o seu segredo. Mas eu questiono, tu, caro leitor! Não foi você que revelou o segredo, ele se revelou sozinho. A culpa pela revelação não foi sua, e sim do próprio fato. É como um vazamento de água. Aquele que conta é o que dá marteladas e fura o cano, não propositalmente mas sabendo do risco. E aquele segredo que se revela é como aquele cano que começa a ficar velho, enferrujado até estourar e vazar tudo.

Se você tem um segredo e quer guarda-lo pelo resto da vida, é bom você não saber de nada. Pois não existe fato algum que você queira saber. Agora se você tem um segredo e deseja conta-lo, você não tem um segredo, propriamente dito, porque segredos foram feitos para serem guardados. Tão bem guardados que é para esconde-los e se esquecer onde é que você escondeu.

Segredos simplesmente não existem.

sábado, 5 de julho de 2008

Aglomeração

Basta apenas três pessoas pararem, apenas três almas se renderem, para uma multidão se formar.

e olha que as vezes nem é tão grande coisa.

domingo, 27 de abril de 2008

Naquele tempo

No meu tempo, a gente cedia os lugares para as moças sentarem no bonde... E elas nos chamavam de cavalheiros

- Vocês são uns cavalheiros- Diziam elas.