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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Almoçando




Na pausa do almoço, a Poesia me contou um segredo: 'não gosto de sonetos'. Ora, eu ali em frente a ela não pude acreditar! Mas sonetos são tão bonitos!!!!- disse. Apesar das exclamações, ela não se deixou convencer. Não gostava de sonetos e era irredutível. Fazia Ela se parecer com sua vó, dizia amargamente. Essa obrigação de faze-los aumentava a sua raiva. Ninguém queria ver a sua mais nova invenção, talvez uns versos soltos... por que catorze? Talvez tantas estrofes quanto ela achasse necessária ou bonito. Os penteados dos Sonetos deixam a Poesia mais velha, mais madura. Só atraem leitores mais velhos, sérios, prontos para o casamento. Mas Ela não quer homens para casar. Ela quer conhecer meninos novos, aventureiros. Quer experimentar drogas novas, com garotos despreocupados. Quer se lida por leitores sem pudor, quer ser lida vorazmente. Quer a apreciação de meninas que decididas, independentes. Ela quer ser lida em qualquer lugar (porque há lugares que os Sonetos não entram) - eles são metidos - só gostam de lugares elegantes, com pompas, com recepção formal, talheres de prata, regalias para convidados. A Poesia gosta de ir a botecos, qualquer um, beber cerveja (nada de champagne) e comer a carne assada que está a três dias na estufa do bar. Isso tudo sem se preocupar. Ela quer estar no pagode, no samba, em todas as rodas. E não nas mesas de luxo, das conversas da madame. Uma mesa na calçada, com cadeiras de ferro - e basta.


A Poesia só quer ser simples, só quer estar com o povo. Este precisa da sua companhia. Aos burgueses que gostam de ostentar lindos Sonetos, meus pesames, ela não quer estar com vocês. Seus dinheiros, joias e carros não a encantam. Só ilude algumas de suas irmãs e primas que vão se vendendo por aí... Mas ela continua firme, almoçando comigo - um zéninguém - nesse restaurante sujo, a companhia de baratas e ratos, onde no fim todos tentam ser felizes.


Ela poderia estar num lugar melhor - mas eu não gosto de sonetos - ela repetiu.
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Jornada




Jaime pega mais um dia o trem das 6:27 na estação do Engenho de Dentro. À caminho da Central, vai esmagado e apertado, pelos seus irmãos trabalhadores. Todos indo ali, para um mesmo rumo. Apesar de ser cedo, o calor já atormenta. O longo sol, tão distante mas também tão perto, acalora o trem que vai chegando na estação do Méier. Para mais gente entrar. Menos uma - pensa - fazendo a contagem, como faz todos os dias, até chegar ao seu destino. A cada estação, menos uma. A cada estação o pensamento longe do trem. Para esquecer a dor nas pernas - que o seguram dedicadamente todos os dias - e também o calor que distribui pingos de suor pelo seu corpo. Poderia pegar o Direto, mas ele nunca consegue chegar no horário para ir até Madureira. Seu sonho sempre lhe trai. Porém ele enganava a si mesmo que a viagem direto seria mais chatas. Não haveria estações para contar, seria mais demorada. Pobre menino. Ao chegar na Central, doce destino, ainda há a amarga caminhada sob sol para economizar os luxuosos R$2,40. Mais uma coisa para ocupar sua mente e protegê-la no sol. -O que fazer com essa valiosa economia: Comprarei uma coca? Mas ainda preciso de 10 centavos... Comprarei uma cerveja? Mas ainda precisaria de 10 centavos... Comprarei um jornal? Ou não... as noticias estão caras... Juntarei para o fim de semana? Mas ainda é segunda-feira... Comprarei... ? - Jaime chega seu destino. Suado, cansado, e ainda nem começou o seu trabalho, a sua rotina. Pensa sempre em se demitir. Xingar o chefe, seus superiores - vão para a porra - esbraveja sozinho ( e escondido) no banheiro. Imagina-se dono de uma quitanda perto da sua casa ou então vendendo churrasquinho ou ainda vivendo cantando de bar em bar - mas volta a sua realidade, a seu emprego real, aos seus desafios. Cada minuto parece uma eternidade. Tenta se distrair até chegar a hora do almoço mas essa ansiedade acorda a barriga que já o perturba - roncando sem parar -desde das onze horas. Ainda falta uma hora. Xinga a barriga pela maldita pressa. Cada ronco impedia a sua imaginação de levá-lo para outro lugar. Cada ronco denunciava sua atual situação. Cada ronco o torturava. Na hora do almoço, a marmita cheirosa é devorada em instantes. O resto do tempo ele reserva para cochilar um pouco e discutir sobre futebol. Não necessariamente nessa ordem. O resto do dia passa sem grandes preocupações e chega a sua mais esperada hora, o fim da jornada. Pega o caminho de volta, prefere voltar de ônibus e esquecer o trem. Toma uma pinga no botequim do ponto, que passa queimando,( lá se foi os R$2,40) e entra no ônibus que mais parece uma carroça de gente. Em pé, com calor, sem estações para contar. Condena sua preguiça mil vezes. Afoito para sentar, procura sempre alguém com a cara de que vai soltar no próximo ponto. Olha para uma velhinha que segura a bolsa, pensa: vai levantar!, espera ao lado dela e nada. Uma, duas, três, quatro pessoas sentam e a porra da velha não sai do lugar. Se condena mais mil vezes por ter escolhido o alvo errado. Como castigo a si mesmo reserva ali como o seu lugar até o destino: Ou a velha levanta ou vai em pé a viagem toda. E foi em pé a viagem toda. Se irrita porque o motorista deixa ele depois do ponto. Vai andando pra casa amaldiçoando o motorista ( e a velhinha é claro) até chegar ao seu portão. Recebe a mulher os filhos, janta, toma banho, assiste o Jornal, com alguns cochilos, e vê a novela com a mulher. A sua filha mais velha o aporrinha, mas ele ignora. Olha para o relógio e se põe a dormir. O imenso calor retarda um pouco o sono... o ventilador se mostra indefeso contra a grande temperatura. Suando, dorme aos poucos... pensando no amanhã que será igual ao ontem, que por sua vez foi igual a hoje - e sempre. TRIM, TRIM, TRIM - Toca o despertador: Perdeu o trem Japeri-Central Direto. Maldição - pensa.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Encomenda

Fazer textos sob encomendas é como pedir às Idéias preguiçosas para se levantarem e trabalharem. Vamos! Levantem! Trabalhem!- Exalta o autor com energia, e elas respondem graciosamente com longos bocejos. Trabalhar um texto é como preparar uma lavoura. Planta-se a Ídéia, cuida dela, com bastante carinho se ela for boa ou pode ser com bastante rigidez e energia se for indisciplinada, e depois disso, colhe-se o fruto: o texto. Ora, nem sempre a lavoura rende, depende de vários outros fatores além do trabalho do autor e da boa vontade da Idéia. Se esta for preguiçosa trará um texto lento, com palavras vagas. Provavelmente dará sono ao leitor, e por conta disso, não irá nunca vê-los. Se porventura ela for entusiasmada, pode proporcionar um bom texto, mas isso não é regra, pode ser atropelado e atrapalhado. Outra variante é o autor. Ele tem que ter dedicação e acreditar na Idéia, faltando isto, no mínimo vai sair um texto desacreditado, por conta da Idéia fraca.... e olha que as vezes ela poderia até ser forte, mas precisa de apoio.
E assim segue a longe jornada pelas palavras que querem ser lidas e outras esquecidas. O texto forçado sai assim truncado. Talvez não atenda as exigencias do Mercado, como são feitos os pedidos de encomenda, e acaba esquecido nas prateleiras. Até o cliente que exigiu palavra por palavra se desinteressa. Resta só a poeira, as baratas e os ratos para roerem palavra por palavra...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Observações




- Olha, já é meu terceiro cigarro e o maço está acabando. Acabou-se também o amor. Pode fazer noite, dia, chuva, sol. A revolução também se esvaziará. Nada irá ser como o amanhã. Sua ansiedade pela noite e suas estrelas só vai estragar o luar. Não fique decepcionada se - pausa para acender o cigarro - eu for embora agora. Não há tempo. Os segundos estão perdidos. Os minutos são inúteis. Já não tenho certeza da hora. Os dias estão vazios. Semanas passam como brisa...Minhas palavras que outrora já lhe trouxeram prazer, hoje trazem a amarga dor... sinto esse gosto desagradável em minha boca, como se fossem farelos das palavras ao sairem da minha garganta. Não lhe quero mal. Nem quero que me entenda. A confusão que chegou a mim não pode ser simplificada a você. São tantas novas sensações, tanta informação ao mesmo tempo que é necessário liberdade para fita-las, aprecia-las, deixarem elas irem ( se elas quiserem ) ou prende-las se for necessário. Eu preciso de liberdade para prender. É preciso dizer, proclamar a liberdade, para suprimi-la a cada parte de mim.
A cada parte de você.
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Foto:
Acaua Fonseca

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Conflitos

Hoje eu briguei com a minha melhor Idéia. Desperdiçamos um poema. Não sabíamos se ia ficar bom, mas estava tudo caminhando para a conclusão. Daí veio a briga, o impasse. As brigas sempre ocorrem por fatores banais, por imposições e inflexibilidades. Quando ninguém quer ceder e todos querem avançar, é natural que o mais forte avance e o mais fraco ceda. Eu cedi, a Idéia avançou. Por um ato covarde eu rasguei o papel, a poesia foi suprimida. A Idéia se irritou, gritou, xingou e foi embora. Não foi sozinha, ela era a minha melhor Idéia e levou consigo todas as suas irmãs e primas.

Fique desnorteado. Inerte. Não sabia o que fazer. Tudo parecia ser inútil, tolo. Horas foram gastadas, papéis, lápis, todos foram usados. Não sabíamos se ia ficar bom, mas estava ficando tão bonito. A briga se deu porque eu queria uma palavra, a minha preferida. A Ideia, com toda a sua arrogância, queria outra. Uma mais feia, que é usada em bares, ternos e outras esquinas inconvenientes. Eu queria palavras cultas, de universidade, biblioteca, livros caros. A Idéia queria palavras prostitutas, sujas, vulgares.

Eu queria palavras puras. Ela - putas.

A historia termina assim leitor: Você fica sem poema. Nem palavras formais ou informais. Nada. O que resta é o papel que vaga na mesa -perdido- sem orientação. As palavras voltam para os seus livros ou esquinas. A minha melhor Idéia abandonou-me. Deve estar aí agora, vadiando, se prostituindo na cabeça de outros autores.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A chegada

A nova gripe chegou com tudo. Assim que chegou quis ir direto para o seu quarto. No onibus, ainda no caminho, ficou imaginando como seria ele...Primeiro imaginou um azul, depois um verde, quando chegou lá era de fato azul, e ficou satisfeita - eu combino com azul-pensou. Depois que conheceu o quarto, desceu as escadas e foi no quintal, falar com sua vó, que estava na cadeira de balanço, fazendo tricô. Não entendia muito o que ela falava, dizia tudo em espanhol, a sua neta apesar de nascer no México se mudou bem rápido de lá e sabia só o básico. Desse modo, ela apenas compreendeu poucas palavras da anciã, que se mostrara ser bastante experiente. Entendia algo como 'na minha época', 'preguiçosa', e outras coisas mais enroladas. Tudo em espanhol. Sim, caro leitor, sua vó é espanhola, daquelas bem tradicionais.
A menina se irritou. Foi pro quarto. Pensou em fugir- maldita velha!-pensou alto. Porém aí ela parou, se arrependeu no que poderia ter dito, mas pensou! Foi uma fúria repentina. Sentia muita admiração por sua vó, que outrora fora uma grande celebridade no mundo, reconhecida por todas, comentadas por todas as gerações que se passaram e que agora estava velha recolhida no quintal da sua casa aproveitando sua aposentadoria. Todavia, ela exigia muito da sua neta, botava pressão por ela ser da familia.
E exigia muito da neta. E a netinha ficara triste em saber que a tinha decepcionado.Talvez devesse pedir alguns conselhos a ela, algumas dicas. Se alegrou com a idéia, agora boa, e foi correndo para aprender.
E os passos foram se confundindo com os espirros e foi correndo feliz.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Despedida

A Paciência pegou suas coisas e foi embora. Deixou a casa vazia para as moscas, formigas e baratas... Tudo bem, não tão vazia assim, as baratas teriam as formigas como companheiras, essas teriam a amizade com as moscas que por ultimo não se dariam muito bem com as aranhas. A aranha que nesta casa mora, é neta daquela famosa aranha que subia pela parede, e seguindo a tradição de sua familia, ela subia todas as manhas a parede até esperar a chuva forte. Porém, quando a Dona Paciência foi embora, a neta quebrou tradição da familia derrubando a parede, dizendo que preferiria agora tricotar.
A mosca que adorava pousar em sopas também se cansou. A arte inovadora que o seu avô conseguira agora já não encanta mais tanto o neto. Ele até que praticou um pouco, seguindo os passos da familia, mas agora prefere ficar quietinho, prefere não ficar pertubando o sono dos outros e nem ficar posando em comidas alheias. Simplesmente ele prefere dar voos rasantes por aí mesmo. De preferencia em algum celular de ultima geração ou alguma nova tecnologia.
Já as formigas, coitadas, nunca fizeram nada para se vangloriar. O avô da qual na casa reside, não fez nada além de trabalhar, sendo esse o mesmo destino dos seus filhos e netos. Ela nem pensa. Só pega as migalhas que lhe cabem e segue seu rumo.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Exploração

Socialismo ou Capitalismo.

Só têm essas opções?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Preguiça

Eu vos ordeno:

P F D P
A I E É
L Q
A U
V E
R M
A
S

Preguiçosas!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Pra que?

O que é isso?- Pergunta uma criança apontando para o cordão do velho. Ele que já respondera perguntas muito mais dificies e complicadas do que essa, agora ficara engarrafado naquela indagação simples e inocente. Ele que, se considera inteligente e sábio, tanto pela educação, quanto pela experiencia de vida, agora já não se sentia confortável com nenhuma resposta que lhe vinha a cabeça.

É um cordão.- Responde o velho a criança. Resposta que não satisfaz nem a criança e nem ao velho. E ela ainda insiste! 'Mas pra que serve? É de comer? Por que tá no pescoço?' E o velho, que não conseguia explicar nem a primeira pergunta, agora estava confuso demais com essa avalanche de indagações a um mísero objeto. Que ousadia! Como ele pôde pensar assim sobre esse objeto tão significativo em sua vida. Arrepende-se de ter desejado a miséria ao seu nobre cordão. Sim, caro leitor. Nobre cordão que fora passado de geração a geração. Era de um valor sentimental inestimável. Foi passado de pai pra filho, e estava chegando a hora passar para o seu filho e... ? Mas pra que? Pra que continuar com essa tradição sem razão? O cordão até tinha seu valor, era bonito, de ouro e pedras preciosas, valia uma boa grana... Mas por que? O homem que compraria esse cordão do velho, talvez o fizesse para ofertar de presente. Para enfeitar alguem ou se enfeitar. Mas pra que se enfeitar tanto? Enfeitamos as coisas porque elas são inanimadas. Porque não falam, não agem... ficam ali caladas e imóveis. Agora por quê e pra que enfeitar os homens? Nós falamos, agimos, prometemos, mentimos, fazemos uma série de ações. E não é necessário nada para nos enaltecer. A não ser nossos próprios atos.

Maldito cordão! Ele que pensava que já podia morrer tranquilo, agora adquiriu mais uma aflição. Maldito cordão que só serve para adornar. Não precisa de tanto.

Enfeite-se com sabedoria.

domingo, 28 de setembro de 2008

São Cosme, São Damião e Santa Proteção

Ele estava num botequim conversando com o seu amigo Preconceito, quando este disse:

- Amigo, olha só que triste, o mundo não é mais como antes. Não há mais crianças nas ruas correndo atrás de doces. Todas elas estão presas pelas grades dos seus condominios para garantir proteção. Ficam ali paradas até aparecer alguem para passar o magro saco de doce entre as grades frias. Depois voltam para dentro, esperando outra oportunidade. Elas foram privadas de correr e sentir o vento no rosto. Essa infancia se limita a ficar sentada e protegida. É uma fatalidade, é uma pena.

Ele, porém, não concordou. Argumentou que ainda há crianças que correm e desfrutam da liberdade para caçar doces. E que essas são tão visíveis quantos as menos privilegiadas que ficam presas. Ele continuou e disse que não estava entendo qual era o objetivo da conversa, já que ele estava analisando apenas algumas crianças. O Preconceito então terminou a sua cerveja, e explicou para seu amigo que eram exatamente essas crianças livres que privavam as outras dessa liberdade. E que essas não mereciam estar correndo, e sim presas. E que seriam as presas que mereciam correr e correr para buscar o máximo de doce. Começou a reclamar que os valores se inverteram e que essas crianças sujas e mal educadas não merecem nem o pior saco de doce que alguem podia ofertar.

Dessa vez o nosso amigo se enfureceu, e disse que não há distinção entre as crianças. Elas são todas as iguais. Pode até ser que tenham tido oportunidades diferentes, mas não pode haver tal distinção. Elas ainda estão em forma de pedra bruta e precisam ser lapidadas, ou para o bem, ou para o mal. A infância é uma linda fase, e deveria ser aproveitada por todas as crianças. Triste são aquelas que tiveram que crescer rápido, e não tiveram a oportunidade de ter uma boa infância. Terminando de falar, ele jogou a sua cerveja quente no chão e continuou:

-Isso é tudo que elas têm agora. Correr atrás de pobres doces, esse é o lazer delas. O resto das vidas delas são só desgraças. Enquanto a sua pobre criança reclama que quer um computador novo, a minha criança livre não tem nem tênis para correr. Elas mal tem comida, roupas, como você quer que tenha educação? Deixe-as em paz, deixe-as correr, deixe-as livres. Nada se inverteu, tudo está no rumo certo. Um saco de doce nada vale para uma criança que está presa em seu condominio, mas pode valer muito para aquela que quer garantir a sua sobremesa da semana. Todas as crianças merecem ter uma infância. Elas deviam correr juntas, porém o Medo não permite. Essas crianças só querem aproveitar a sua infância que elas sabem que logo vai acabar.
Na vida real, é completamente diferente: a parte feliz fica no começo e não no final.

sábado, 13 de setembro de 2008

De como ele foi e sempre continuará sendo um otário, mas não percebe

Olhando antigas fotos, lembrando antigas lembranças, ele percebe de como era um estúpido. De como suas roupas eram deploráveis e de como suas atitudes eram dispensáveis. Era um otário, depois de um tempo de reflexão, chegara a essa conclusão.

Talvez tenha achado essa reposta porque agora tem maturidade. Então ele se lembra que naquela época ele também se achava maduro. E aí vem o medo, a insegurança, e a terrível afirmação: 'Invevitavelmente, sou um otário!' (Meu amigo, isso acaba com qualquer um.) Chegar a essa conclusão não foi algo fácil. E ele começa com toda aquela inquietação. De que quando foi ridículo com os outros, mas pensou que estava agradando. De que quando fez brincadeiras com o próximo, e na verdade, o estava machucando. Desconsolado, ele se joga na cama. Olha pro teto esperando que venha mais lembranças da sua otariedade. E elas vêm aos montes: De que quando foi submisso. De que quando mesmo sabendo que estava certo, se curvou ao errado. De que quando não soube impor as suas vãs opniões. Sempre aceitando, sempre se conformando, sempre se rebaixando, sempre, sempre, sempre. E nunca nenhum: NUNCA!

Leva as mãos ao rosto, coça a cabeça. O travesseiro já está amassado. A cama, totalmente desarrumada. Porém isso se arruma. Fatos passados, não. Ele sente a inevitável vontade de chorar, mas as lágrimas simplesmente não caem. E fica tudo assim... vago, sem rumo, sem nada.

Não levantará dali homem. Quem vai levantar daquela cama é o otario de sempre. Que sempre foi que sempre será. Até ele ter a coragem e a ousadia de gritar: NUNCA!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Tentativas frustradas

Me deu uma vontade súbita de escrever alguma coisa triste. Porém o Obliquo, o pronome, já vem me avisando que eu comecei errado. Ele me explica que não gosta de começar nada, prefere dar lugar ao verbo. É a regra, diz ele, primeiro as damas.
Que seja, não vou protestar!

Deu-me uma vontade súbita de escrever sobre os rios de lágrimas do mundo. Todavia a Hiberbole, irritadíssima, já vem me dizendo que eu minimizei os problemas! Ora, será que apenas alguns rios bastam para todas as lágrimas do mundo? Não me confunda com o Eufemismo, diz ela, são mares de lágrimas. O mundo chora mares de lágrimas. Contesta ela nervosa.
Caro leitor, eu não tive reação. Ela estava aos prantos. Tive que ceder.

Eu já estava quase desistindo de escrever sobre os mares de lágrimas, quando a Persistência, moça bonita, veio a mim e disse para eu continuar. Que desistir seria a pior coisa, e persistir seria a melhor opção. Mas as Ideias, meninas complicadas como elas são, já perderam a paciência e se foram! Corra atrás delas, diz a Persistência, não as deixe ir. É justamente nesse momento que a Preguiça intervém bocejando: Pra que correr atrás das Ideias? Meninas mimadas, vão ficar mal acostumadas. Replica a Preguiça quase dormindo... Argumento muito válido para mim, e que deixou a Persistência calada. Talvez ela tenha desistido, ou não. Só sei que a Preguiça saiu moribunda, sem o comum ar superior de quem sai vitorioso, e foi se deitar.

Eu ia até tentar continuar a escrever, mas o Cansaço, bom e fiel amigo, me convenceu que é melhor parar por aqui mesmo. Deixar para outro dia e ir descansar. Conselho justo e sincero. Bom e fiel amigo que é o Cansaço. Já até preparou a rede pra mim. Não, caro crítico a Preguiça não está lá. Ela tá no sofá, vendo tv. Enfim, vou descansar.

E lá vem a Dona Ortografia, menina boa e competente, para arrumar tudinho por aqui. Se você tá lendo tudo certinho, agradeça a ela e não a mim. Enquanto eu tava descansando, ela tava trabalhando. Obrigado, Ortografia. Volte sempre, aqui.

domingo, 8 de junho de 2008

Férias em Penedo

O rapaz bebado anda pela rua.
Caminha contando a verdade nua e crua.
A mentira não lhe causa mais medo.
Desde que ele voltou de Penedo
Lá até que não é um lugar tão mal.
Só é ruim se for pra passar o carnaval.
As pessoas de lá não mentem tanto.
Mas elas também já não tem o mesmo encanto.
Porém tem uma senhora que é meio ficticia,
Ah, como é mentirosa aquela Dona Felícia.
Dizia que não tinha nenhum filho,
até me aparecer com netos e sobrinhos.
Disse que era um milagre,
Mas na verdade ela tinha um caso com o padre.
Ela até que não é feia, até que não é estranha
O que não se duvida é que essa Dona é uma verdadeira piranha
Quando eu estive lá, até em cima de mim, ela deu.
Safada, essa Felícia! Enquietou-se quando o padre percebeu.
Depois de tantas descobertas, parei no bar para beber.
Cachaça, cerveja, conhaque... Até o padre interceder.
Veio me perguntar se eu havia a sua Dona, apalpado.
Irritado, eu disse: "Mas todo padre não é viado?"
E ele respondeu sem meias palavras:
" Tem uns que comem homenzinhos outros que tomam viagra."
Confuso, fui pra rua a pensar
Essa merda de lugar, mal tem um mar!
Mas que droga de cidade, nunca mais passo férias aqui.
Ano que vem vou inovar, passarei uns dias em Parati.

Co-autoria: Felipe Gilard http://permutavel.blogspot.com/

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Para eles

( Que também são poetas, mas não sabem)

Pegue um lápis e um papel.
Rasgue o lápis e quebre o papel.
E comece a escrever.
Sim, meu caro. Isso é possivel.

Veja os sons do rádio, desfrute do sabor da água.
Tome banho de sol em plena noite,
conte as estrelas do céu e dê nomes a elas.

Torça pro time adversário, ande descalço pela calçada.
Faça tudo ao contrário.
Cante para o surdo, dance para o cego e abrace o insensível.
Pule na cama, pise em ovos, brinque com o fogo e tenha pelo menos um amigo invisível.

Se queime, pois você vai se apagar.
Relaxe, um dia tudo vai passar.
Cante uma música que você não goste. Presenteie alguém que você não suporte.
Não tem graça em agradar quem a gente ama.
Não há merito em agradar quem a gente ama.
É obrigação!

Cumpra ordens, desobeça as regras.
Faça favores. Não tenha pressa.
Deslize.
Sinta o vento. Sinta o sol.
Viva cada momento.

Nada pára. Tudo fica num eterno movimento.

domingo, 11 de maio de 2008

Um dia qualquer.

Ele nasceu num dia especial. Não pela sua natalidade, é claro, mas pela responsável desse fato. Sim caros críticos, ele nasceu nos dias da mães. A sua data já foi ofuscada por outra muito mais importante. Vai ver que foi de propósito. Já imaginavam que ele preferiria ser discreto, digo que preferiria, porque ele nem sempre consegue ser. Ele prefere andar aí pelos cantos, do que correr pelos corredores. Prefere ser apagado, ficar nas sombras, do que dar as caras nesses clarões por aí. Esconde suas virtudes. Esconde todas as suas gentilezas. Ele se esforça arduamente para não gostarem dele. E é claro. Como todos, ele faz de tudo para não perceberem os seu defeitos. Sinceramente acho que nem ele sabe porque faz isso... e também nem se interessa em saber.

Além de ser domingo, ele ainda nasceu no meio da noite.... Horário morto demais para dar vida à alguém. Vai ver que foi de propósito. Já imaginavam que ele adoraria estragar certas noites. Irritar os outros com seus berros e exclamações. Ocupar os outro com a sua presença. Porém ele não liga, não se importa e não percebe. Fica contente por pouca coisa. Ilude os outros com pouca coisa.

Talvez ele queira mudar algumas coisas em si. Comportamente, ações, atitudes. Mas não faz nada. Ele vai empurrando tudo pra um cantinho. Um cantinho amassado, bagunçado e sossegado. Ele sabe que um dia vai arrumar.

Lá vai ele...

Vai rapaz, vai viver pra crescer.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Não desista, persista

O homem passa na calçada, e acha uma moeda.
Vira, desvira, assopra e limpa. Analisa e põe no bolso.
Malditos segundos para guardar uma moeda perdida.
Não precisaria tanto, eu teria posto logo no bolso. Ele, porém, a analisou.

Mihares de pessoas passam por mim. Milhares de histórias diferentes, alegrias diferentes e problemas diferentes. Eu reparo em todas elas. Imagino como deve ser a vida delas. Suas casas, suas familias. Elas porém, nem notam a minha presença. Não percebem minha camisa amassada, não reparam no meu tênis desamarrado.
Não precisa de tanto, elas apenas passam por mim. Eu, porém, as analiso.

É inevitável.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Ponto de vista

O rapaz está sentando na mesa de um bar. Um casal passa bem em frente a ele. Anda mais uns metros e os dois param para atravesar, estão esperando o sinal fechar. O rapaz levanta e anda na direção dos dois. O namorado percebe algo estranho e tenta fugir. Tarde demais. (Aqueles que dizem que nunca é tarde, mentem.) Dessa vez não teve jeito. Foram apenas três tiros, dois nas costas do homem e um na cabeça da mulher. O atirador pegou a carteira e deu as costas.
Houve um silêncio imortal.
Contei no meu relógio. Demorou dois minutos e vinte e um segundos para alguem socorrer o casal. As outras pessoas se assustaram com o tiro e se esconderam, e ao sair do esconderijo, proseguiram a sua vida. Cento e quarenta e um segundos para tentar salvar duas vidas. Tarde demais.

Está reflexão foi de um morador de rua. Que observou tudo do outro lado da sua " casa". Sim caros críticos, ele tinha um relógio. Desses velhos e enferrujados que você joga fora por aí.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Confissão

Caros amigos, tenho algo muito importante para lhes confessar. Algo que alguns já sabem e outros teimam em não querer saber. Venho aqui contar da importancia do dinheiro. Ah!! O dinheiro... Não há em nenhuma parte da Terra onde esse ser não seja valioso. Ele é capaz de acabar com o choro e colocar um sorriso em qualquer um. Os amantes dizem que podem mover montanhas... mas só dizem, o dinheiro consegue move-las. Os fracassados dizem que podia ser diferente... ele consegue mudar tudo. Os vitoriosos dizem ter toda glória... o dinheiro é a gloria. Repares, não há gloria quando, no prémio não há dinheiro. Todo mundo dá aquele "parabéns" e segundos depois esquece. Não esqueceriam pois, se houvesse o dinheiro.

Porém, se você ainda teimar comigo e dizer que há coisas melhores do que o dinheiro, eu irei aceitar só uma sujestão. Que é a vida. Isso porque sem ela não há como ter o prazer dos vintens. E se mesmo assim o leitor implicante continuar questionando, eu respondo com a mais simples exemplificação: Olhe os mendigos. Vivem na miséria, sujos e mal tratatos. Ninguém se importa com eles ( pois não há dinheiro ). Mas pergunte se ele prefere a miséria ou a morte!! Você já deve imaginar a sua reposta. Porque não há outro motivo, senão esse, para ele manter essa triste vida miserável.

domingo, 20 de janeiro de 2008

O que você sabe.

As ruas que você conhece muita gente não conhece. As contas que você faz de cabeça, muita gente não faz. Mas isso não faz de você um rei ou outro tipo de nobre. Isso significa que você teve oportunidade, que o seu potencial foi explorado.

O que vejo quando ando pelas ruas, são ponteciais desperdiçados e pessoas sem oportunidade. Vejo o que seria um futuro advogado, um futuro médico e até mesmo um futuro malabarista. Mas na verdade eu sei que eles não vão nem sair da rua, se derem sorte talvez cheguem a idade adulta. E ao invés de oferecermos instrumentos para melhorar a vida dessas pessoas, oferecemos simples moedas ou um simples 'Não'. O que essa sociedade faz de melhor é a marginalização dos seus indivíduos.

Porém, meu amigos, o que mais me intriga nisso tudo não é a falta de oportunidade, nem a nossa ignorância. É o fato de que enquanto eu durmo pensando no almoço de amanha, tem gente que dorme pra esquecer a janta de hoje.