
sexta-feira, 14 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Outono
no espaço da noite.
no espaço do tempo.
Não durma,
para não sonhar.
Não acorde,
para não despertar.
Fica:
Estático.
Parado.
Não lute contra a correnteza
É em vão que tu
desconstroi a certeza.
Não vá com a corrente
não fique a espera da rendição da minha mente.
Este minuto,
este segundo.
O aqui e o agora,
é o nosso mundo.
Não há o amanha,
como outrora.
Não há mais a primavera,
batendo em sua porta.
Há somente chuvas na janela,
inúteis gotas
levando flores a ela.
Para a ultima despedida...
Quem sabe,
voltará algum dia?
sábado, 1 de maio de 2010
Um novo primeiro de maio
quem ri é o torturador.
Aquele continua trabalhando,
enquanto este,
sem preocupação,
segue impune.
Até quando?
segunda-feira, 26 de abril de 2010
mesmo
É a mesma fome,
que mata,
tantos,
hoje,
ontem,
amanha,
sempre.
É a mesma inercia,
que deixa,
morrerem
tantos,
hoje,
ontem,
amanha,
sempre.
É a mesma tentativa,
de mudar,
tudo,
hoje,
ontem,
amanha,
mas nem sempre...
Sempre virá o mesmo cansaço, o mesmo.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
A poesia está nua na rua
Já não sei mais o que é um poema, um conto ou uma narração.
É essa mania de enquadrar tudo o que crio que me limita.
Já não sei mais o que é paixão, o que é revolução.
É esse instinto de convicção que me sabota.
Já não sei mais o que é possível, o que é a realidade.
São essas incertezas que me descontroem.
Já não sei o que é certo, o que é fato.
São essas resistências em minha volta que me esgotam.
Já não sei como mudar, como ultrapassar.
São essas duvidas sem respostas,
repetidas ao infinito,
que fazem da minha solidão,
a única companhia no caminho.
terça-feira, 6 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
Pascoa
- Nilo Batista


Vida nova pra que ?
Vida nova pra quem ?
Engana-se porém quem acha que é a miséria a geradora de violencia. Esta é sim, sem duvidas, um dos fatores, mas nem de longe é a questão principal. O que favorece é um sistema como o nosso, que se baseia puro e simplesmente no consumismo. Tratam todos como consumidores, não como humanos. Julgam-nos com o que se compra, não com o que se é. Aqueles que nada tem, que nada consomem, são dispensáveis, não tem valor algum. Daí a marginalização de milhões de individuos que simplesmente são eliminados e sumariamente executados do sistema. A desigualdade social, a diferença entre esses que foram conteplados com a sorte e tiveram em suas vidas todas as facilidades e oportunidades para crescer contra aqueles que o futuro não reserva surpresas e sim, somente a miséria. É esta desigualdade o fator fulcral gerador da violencia. Na medida em que há uma exarcebada diferença economica e social dos individuos, aqueles menos favorecidos tentarão, inevitalmente, tomar dos mais afortunados. Eles farão isso não por prazer, por causa de punições brandas, mas por necessidade, desespero. Tolo é aquele que pensa que esta necessidade pode ser comparada com aquelas fúteis e inúteis das quais por ventura passa. Estúpido é que aquele que com arrogancia e barriga cheia não pondera sobre a fome que estes sentem diariamente. Não uma fome a fim de ser sanada em minutos, mas uma fome rotineira, diária. Uma fome que tem que ser morta diariamente.
( Leitor, não interprete mal, essa é uma visão, uma interpretação, as coisas não são tão cruas assim, mas para aqueles que sofrem, basta a realidade. Para aquelas que vivem no conforto, há as palavras que não convencem. Há uma tentiva que mostrar a visão do outro lado, mas nem sempre ela é bem sucedida.)