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quinta-feira, 16 de junho de 2011

hoje a bolsa subiu três pontos, apesar da queda de Nova Iorque




Altas taxas de inflação
informações privilegiadas
empresas nacionais
capitais estrangeiros
fundamentos de mercado
deventuris
obscuridade da lei

Qual a saída?
Se o país precisa de capitais.
Títulos negociados
..................................no estrangeiro
para o desenvolvimento
do país?
das empresas?
da pornografia estrangeira?


Capital autorizado:


Mercado de capitais


vende-se papel
que não tem valor
que não tem valor
que não tem valor
que não tem valor
que não tem valor
que não tem valor
que não tem valor
vende-se a alma
que não tem valor
que não tem valor
que não tem valor
que não tem valor
que não tem valor
que não tem valor

terça-feira, 5 de abril de 2011

A morte que lhe bate a porta (vizinha)

Olhe para teu relógio
Não importa a hora
Perdemos um jovem
exatamente agora

Olhe novamente
Mais uma vez
o perdemos
será um deliquente

A cada segundo
perdemos gente demais
nesse mundo

A cada minuto
já se passou muito tempo
para muitos

e você lendo
este poema
não tem a ideia
da fome
da miséria

Longe dessa tela
Longe desse papel
há gente morrendo
(que poderia ser médico)
há gente com fome
(que poderia ser cozinheiro)
há gente rezando
(que poderia ser atendido)

E eu escrevendo
não faço nada
e você lendo
não faz nada
E no final
todos escrevem
todos lêem
E ninguém faz nada

E continuam morrendo
quem poderia ser
quem queria ser
quem morre
por não querer.

terça-feira, 1 de março de 2011

A morte não é assim tão má para aqueles que a adoram




Quando eu morrer
(coitado de mim)
o mundo continuará o mesmo

Os homens continuarão seus trabalhos,
talvez um ou dois
faltarão por conta da minha ausência.
Os canários,
tanto os presos
quanto os livres,
continuarão a cantar.
As plantas continuarão com a fotossíntese
e eu não farei nenhuma falta ao motorista do ônibus de todas as manhãs

Porque o mundo
nosso mundo
não precisa de nós para sobreviver
Para girar em torno do sol
a Terra
não precisou de Copérnico
A maçã não precisou de Newton
para cair
O Sol não depende de ninguém para nascer

ele simplesmente nasce
implacável

E essas coisas já existiam
antes de mim
antes de você
e vai existir para além de mim
para além de nós.

Quando eu morrer
de pó como sou
à merda voltarei
e nem as vacas
-aquelas que pastam em latifundios-
vão agradecer a mim pelo adubo ao capim doce de todas as manhãs.
porque nem sequer
o mais insignificante mato
precisa de mim para sobreviver

.
.
.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

deus está de férias




imagina você
assistir uma injustiça por dia
e não poder fazer nada

uma injustiça
.......................por dia
e ficar inerte

a cada injustiça
........................uma covardia
e ficar inerte

parados,
estáticos
como se fosse longe

e fingimos
...................por corvadia
a injustiça do nosso lado
na nossa frente
nos nossos olhos
( que apesar
de fechados
podem ver)


e não fazemos nada
por impotencia
..................................por corvadia

quando os vidros se fecham
quando o fone está no ouvido
ignorando o ambulante do ônibus
quando não há centavos
quando não olhamos pro chão
quando atravessamos a rua
por medo, por receio
(talvez preconceito)
quando mais um jovem morre...

é porque deus está de férias
e o inferno está mais perto
e ele assiste a isso tudo covardemente

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Processo



Não gasto minhas palavras para falar de amor,
não uso minhas letras para algum chefe,
ou qualquer outro senhor.

Para ter valor,
precisa ser miserável.
Para ser importante,
não precisa ter amante,
basta ser amável.

As minhas palavras caras,
minha cara,
uso com aquele que é barato.
Aquele que não usa terno
nem sapato.

Meus versos preciosos
são refens dos mendigos
que pagam a recompensa,
apenas com sorrisos.
A cada estrofe,
que curar uma fome,
(por um segundo que seja)
não enche o estomago,
mas deixa a cabeça
satisfeita.

Quem é rico faz pedidos,
suspira o excesso.
Quem é pobre agradece,
alivia-se com o curto sucesso
do seu emprego,
do seu trabalho,
que será trocado
por um pequeno
salário.

Descansam na subida da ladeira
assobiando a nova musica,
ocupada na sua cabeça.
Cotidianamente
- vence.
Sem receber qualquer
prémio,
ou menção.
Porém, sente inveja
da medalha do patrão.
Que ganhou por matar patos,
por ter o mais bonito carro,
ou por qualquer outro fato,
que relembra que ele é inferior.
Que nunca terá valor.

Quando declamam poesias
o burgues se enaltece
brilham os olhos
suspiram preces.
Cultura
só consumida por estes.
Aos marginais
há velhos jornais
há velhas musicas
samba,
pagode,
funk,
que a elite não escuta
para isso
se faz surda
pois beleza,
nobreza,
só os seus cantos
somente seu encanto.

Podre classe
que hoje domina
mas amanha sucumbirá.
Seus valores,
seus gostos,
hoje nobres,
amanha
-
tão pobres.


Arrogancia,
ganancia,
cairão.
Uma nova cultura
surgirá.
Outra sociedade
solidificará.
Sob as ruinas do consumismo
do individualismo.
Morte ao Capital,
que tanto explora.

- DO PEDIDO

Burguês,
por favor,
vá embora.

( ou então irá
a força
no paredão
ou na forca)
.
.
.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sentença

Lei após lei 
Artigo após Artigo 
Inciso após inciso 
Nada muda no nosso mundo indeciso
 Frouxas palavras justiça .......
......inacabada

Eficácia esgotada pela força .
............................das armas 
 O juiz dita a sentença condena quem já cumpre pena
 Sentenciado eternamente para ser ninguém
 Por ter nascido junto com quem nada tem 
 Processado mais um pobre réu 
Sua vida depende de pilhas de papel. 
 Correm gabinetes os processos correm em mãos. 
Um único juiz fica com a decisão.

 Por sua cor 
Pelo seu lar 
Absolvido? 
Não será. 
 Estão revogados seu futuro promissor 
sua carreira exempla
 o respeito a ganhar
 toda a sua vida
 menos as disposições contrárias,
 das quais ele vai pra sempre se lembrar.

Cotidiano


Entre as marteladas de cada mês,
100 jovens são mortos pelo burguês.

Nos trens,
onibus,
e caminhadas.
É longo o caminho,
para mais uma jornada.

Do outro lado.
Dentros dos condomínios,
cercados de cinismo,
com carros blindados
e grupos de exterminios
a burguesia não vê seus inimigos.

Nos domingos,
em dia de missa,
a Igreja lava alma
da burguesia,
-A água benta,
-É a água da hipocresia.

De segunda a sexta,
não há misericordia,
a amnésia toma conta dos caridosos.
A bondade,
A fraternidade,
só para aquele que tem um bom salário.

Para o humilde,
não há perdão.
É dura a tarefa
de respeitar o patrão.

A greve por dignidade,
A greve por um melhor
horário.
A greve - instrumento
de luta
da classe trabalhadora-
está sempre na mira
da metralhadora.

A sociedade ignora
O Estado?
A burguesia controla.
Depois de um dia em frente a TV,
o burguês não tem o que temer.
Há um sorriso satisfeito
pois seu Estado é perfeito.

No fim do expediente,
depois das marteladas
de rotina.
O proletário está com a marmita
vazia.
Com uma familia para alimentar...
.
.
.

Terá sempre que lutar.

sábado, 5 de junho de 2010

Teatro Aberto - e grátis



engraçado,

os sons dos tiros
( dos quais eu já até distingo)
já não me causam
nem medo,
nem espanto.



Lá onde ricocheteiam

atrás de uma cortina bem

distante

onde o som é mais

alto

sem fila

para o espetáculo

já não sentem

nem medo

nem espanto.




quem não escuta

a grande

melodia

a linda

sinfonia

(dos mais altos riscos

que rasgam o céu)




não tem o prazer

de ver

os maestros marginais.

não tem o prazer

de escutar

o som dos metais


Os atores

desfilam com seus

figurinos

Há papéis

importantes

com roupas

elegantes.

Não há maquiagens

para os figurantes.




Os papéis secundários

trocam-se

sem o aviso do diretor.

há sempre na espera

mais um jovem ator.

empolgado para atuar.

entusiasmado...

( já entrou outro em seu lugar)




é sempre o

mesmo palco

é sempre a

mesma plateia.




A mesma tragédia.


que não é grega.


é daqui.




que já estou cansado de viver,

e outros,

de morrer...
.
.
.
.
.
Foto: Urbano Holanda

terça-feira, 11 de maio de 2010

Outono

Vês,

no espaço da noite.

no espaço do tempo.



Não durma,

para não sonhar.

Não acorde,

para não despertar.



Fica:

Estático.

Parado.

Não lute contra a correnteza

É em vão que tu

desconstroi a certeza.

Não vá com a corrente

não fique a espera da rendição da minha mente.





Este minuto,

este segundo.

O aqui e o agora,

é o nosso mundo.



Não há o amanha,

como outrora.

Não há mais a primavera,

batendo em sua porta.

Há somente chuvas na janela,

inúteis gotas

levando flores a ela.



Para a ultima despedida...

Quem sabe,

voltará algum dia?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

mesmo

Olhe em sua volta. É tudo igual. Todos são iguais. São as mesmas pessoas, os mesmos jeitos, as mesmas manias, o mesmo dinheiro, as mesmas musicas, as mesmas aulas, as mesmas reclamações, as mesmas reivindicações, as mesmas leituras, as mesmas conversas, as mesmas brincadeiras, as mesmas piadas, as mesmas cervejas, as mesmas comidas, os mesmos livros, os mesmos caminhos, os mesmos conselhos, é sempre o mesmo, a mesma, sempre, a mesma vida.

É a mesma fome,
que mata,
tantos,
hoje,
ontem,
amanha,
sempre.

É a mesma inercia,
que deixa,
morrerem
tantos,
hoje,
ontem,
amanha,
sempre.

É a mesma tentativa,
de mudar,
tudo,
hoje,
ontem,
amanha,
mas nem sempre...

Sempre virá o mesmo cansaço, o mesmo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A poesia está nua na rua

É essa mania de transformar tudo em poesia que me deixa sem versos.

Já não sei mais o que é um poema, um conto ou uma narração.

É essa mania de enquadrar tudo o que crio que me limita.

Já não sei mais o que é paixão, o que é revolução.

É esse instinto de convicção que me sabota.

Já não sei mais o que é possível, o que é a realidade.

São essas incertezas que me descontroem.

Já não sei o que é certo, o que é fato.

São essas resistências em minha volta que me esgotam.

Já não sei como mudar, como ultrapassar.

São essas duvidas sem respostas,

repetidas ao infinito,

que fazem da minha solidão,

a única companhia no caminho.

sexta-feira, 26 de março de 2010

mosca-de-fogo

Aos caçadores de vaga-lumes, que necessitam da noite para sobreviver...






Ainda não há textos, nem palavras, posto que, pelo menos por hora, ainda é dia,



a noite talvez virá


e com ela os vaga-lumes, afim de ser caçados,


para logo após serem libertados,


presos


por mera


vaidade.




de se ter por um instante, a luz em suas mãos.



segunda-feira, 15 de março de 2010

Até onde vai a mentira?
Dois dias?
Ou somente um jeito de quebrar a rotina...

Até onde vai a verdade?
Duas horas?
Ou somente um jeito de ir embora...

Tudo isso,
na verdade,
não importa.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fim de fevereiro

É final de fevereiro
acabaram-se as festas
acabou-se o dinheiro,
mas as flores ainda resistem.

Saber que resistem as flores,
aumenta a força dos jardins
que suporta
junto com as flores
os mais longos ventos
frios e fortes.


Saber que resistem os jardins.
Anima a primavera.
Que também resiste,
e persiste
contra o sol frio e seco.

Saber que ainda há,
na primavera,
jardins,
com flores,
faz resistir aquele
que só colheu espinhos
das flores,
dos jardins,
na primavera.

É final de fevereiro.
As flores ainda resistem.
Por que resistem as flores?
Por que não entregam suas pétalas ao Outono?
Por que as folhas não forram o chão?
Por que não cicatriza as feridas dos espinhos?

Definitivamente...
o outono só chegará em março.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Logica de meus sentimentos

O que pensa a rosa,
uma única rosa,
quando tem muitas companhias
na primavera?

Por que o sol,
no inverno,
se esconde?

De cansaço?
Preguiça?
Vergonha?

Por que meu coração
não segue a lógica,
a razão,
dos meus sentimentos?

Por que não sigo
a correnteza
do rio?

Por que as coisas
são teimosas?

Por que tudo
insiste
insiste
em existir?

Por que não passa logo
o que deveria ter passado,
o que deveria nem ter existido,
o que deveria ter ido embora,
sem mesmo ter chegado.

Sem saudações,
sem despedidas.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

"À moi, ma chère amie!"


Em nome da lei,

sempre em nome da

lei.



Mata-se probres

Protege-se ricos.



Prende-se negros,

Liberta-se brancos,



Perde-se dinheiro.

Lucra-se dinheiro.



Aluga-se

Vende-se



Compro:

Ouro, joias, diamantes.



Tudo dentro da lei.

Em nome

da lei.



Oculta-se o corpo.

Mata-se refens.



Espanca o ladrão.

Atiram no cidadão.



Invadem sua casa.

Destroem suas mobilias.



Revistam seus pertences.

Mandam calar.

Mandam bater.



Pela lei,

sempre

em nome

da lei.



É proibido fumar.

É proibido andar

sem camisa



É proibido falar.

É proibido usar:

celular, maconha, cigarro.

Roupas vulgares.



É proibido vadiar.

Ficar parado.

Sentar.



Habeas

Corpus.

Data

Nada.



Da lei.

Sempre em nome

da lei.



O primeiro artigo,

"Não há crime sem lei anterior que o defina",

Não importa.



Para o policial,

guarda,

xerife,

delegado.

jornais.



Eles sempre agem.

Sempre

agem.

Sempre.

Em nome.

Sempre em nome.

Em nome.

da

...
Imagem: Jacques-Louis David, A morte de Marat, 1793.

Duvidas

Ontem,
eu vi um homem
morto.
Na calçada.


Era um mendigo.
Quando estava
vivo,
ninguém olhava.

Agora morto
todos param
Olham,
choram,
lamentam.

Menos uma vida,
que vida?

Hoje escutei um homem ser morto
a tiros.
tiros
tiros
tiros
tiros

Muitos pararam
para vê-lo.
Policia,
Ambulância,
Médicos.


Não serviram.
Ele morreu.
Faleceu.


Menos um homem,
que homem?


Amanha,
morrerá outro alguém.
Não evitaremos.
Falecerão
crianças,
mulheres,
homens.


De fome,

doença,

armas.


Não evitaremos.

Por que não impedimos?
Por que ficamos inertes?
Por que não fazemos nada?
Por que?
Por que?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sentidos






No tato
o arrepio

Na respiração
o suspiro

No olhar,
profundo
e denso,
a lágrima

Na audição,
doces silabas,
sutil voz.

No coração,
o sentimento
dolorido
e indeciso.

Intenso
e comprometido

Que vai passar.
talvez, vá passar.
Imagem: Johannes Vermeer, A Menina do Turbante (ou A Menina do Brinco de Pérola),

domingo, 31 de janeiro de 2010

Perguntas Burguesas

Quando mudarmos as coisas,
como faremos?

Quem limpará o chão?
Quem servirá o café?
Quem comprará o pão?
Quem construirá o chalé?

Quem
...........vai
.................limpar
............................nossa
......................................BUNDA ?

Ninguem vai reparar
no meu tenis
novo?

Minhas roupas novas,
serão pra que?

O carro do ano,
............................não servirá?

Os.botecos.estarão.cheios?

As mansões
.
.
.
vazias?

nossos filhos
estarão
protegidos?

receberemos valores iguais?

(quem prenderemos?)

Não terá competição?
Seremos iguais?
Seremos normais?

Quem mataremos?
Quem............................exploraremos?

O mundo está bom,
por que mudar?

Por que tanta
raiva
da l.i.b.e.r.d.a.d.e?

O que EU tenho a ver com isso?
O que EU vou ganhar com isso?

Rascunho

Quanto vale o erro?
O medo de perder
o sossego.

Quanto vale
a escolha
errada
?

O caminho certo
recompensa?
O certo,
como pensa?

Os erros
Os acertos
quem fizer a correção,
vai acertar?

Vale a pena acertar.
Vale a pena errar
Vale a pena tentar.