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terça-feira, 1 de março de 2011

A morte não é assim tão má para aqueles que a adoram




Quando eu morrer
(coitado de mim)
o mundo continuará o mesmo

Os homens continuarão seus trabalhos,
talvez um ou dois
faltarão por conta da minha ausência.
Os canários,
tanto os presos
quanto os livres,
continuarão a cantar.
As plantas continuarão com a fotossíntese
e eu não farei nenhuma falta ao motorista do ônibus de todas as manhãs

Porque o mundo
nosso mundo
não precisa de nós para sobreviver
Para girar em torno do sol
a Terra
não precisou de Copérnico
A maçã não precisou de Newton
para cair
O Sol não depende de ninguém para nascer

ele simplesmente nasce
implacável

E essas coisas já existiam
antes de mim
antes de você
e vai existir para além de mim
para além de nós.

Quando eu morrer
de pó como sou
à merda voltarei
e nem as vacas
-aquelas que pastam em latifundios-
vão agradecer a mim pelo adubo ao capim doce de todas as manhãs.
porque nem sequer
o mais insignificante mato
precisa de mim para sobreviver

.
.
.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mil faces




Te amo é bom dia
em amores de rotina.
Onde se fala por educação
e se responde por obrigação

Amor do cotidiano
paixões do dia a dia
os mesmos ares
que sufocam a alegria

Te amo é boa noite
em amores clandestinos
que subvertem a ordem
em que estamos mantidos

Amores escondidos
preparando mais um ilícito
lábios apurados
a procura de um crime

Te amo são só palavras
para amantes casados
que dividem a mesma cama
mas não dividem o mesmo quarto

Amor de contrato
de frouxas escritas
Quem ficará com o carro?
Quem curará a ferida?

Te amo é diamante
para jovens virgens
que se excitam o bastante
para buscar a vertigem

Amor dos sonhos
de pura imaginação
muito desejo
e pouca ação.

Te amo é poesia,
sempre em busca
de alguma
heresia.

domingo, 22 de agosto de 2010

Seu presente

Para o seu presente,

há palavras bonitas.


Mas não precisa de beleza,

se for vazia.

Para espantar a tristeza,

tem que ter mais-valia.


Na lógica do patrão,

o lucro

é o único importante.

Na lógica do proletário,

há outras variantes.


Seu presente,

poderia ter cheiro,

poderia ser bonito,

poderia ser macio,

poderia ser descartável,

ou para vida toda

poderia,

mils poderias,

para o presente,

que sempre poderia

ser tudo que você

queria


no futuro,

onde se encontra seu presente.

Sem embrulho.

Não terás surpresa.

Terás um bom presente,

no seu futuro

de certezas

terça-feira, 16 de março de 2010

Poesia do Jornal


Dia de domingo.

Sol.

Comprou jornal,
pra procurar emprego.
Encontrou letras grandes,
criticando o governo.

A saúde vai mal.
A educação também.
Tirando dinheiro de criança,
e de quem não tem.

Na ditadura da mídia.
Todos tem liberdade.
Ninguém quer a igualdade.

Escolhe-se a quem criticar,
proteger,
reger,
manipular.


O humilde cidadão
que quer o seu pão
e informação
Tem os dois.
O primeiro duro
sem vida
O segundo impuro
com mãos.
Mexendo as peças.
Escolhendo as noticias
num longo tabuleiro.
Tapando os olhos
de quem quer ver.
Estimulando o que você quer:
Ler,
reclamar,
desejar,
ser.

Na ditadura da midia.
Eles tem liberdade,
para nós não termos igualdade.

Favorendo uma classe idiota
que não quer pobre na escola.
Botam você para ver
mulher pelada na TV.
Não querem que você aprenda,
que usam crianças como oferenda.
Não querem que você saiba,
que eles te dão só esmola.
Migalhas.
Não querem que você saiba
o que você deveria saber.

Eles não querem,
libertar você.

sábado, 26 de dezembro de 2009

libre poesia



Ah, a minha poesia.
Nem sei se ela é minha.
Ela é livre.
Ora vem cá ao meu bar.
Ora vai lá buscar outros braços.

Uns dias,
acorda e quer rima.
Outros.
Dorme sem querer ser lida.

Tem horas
que quer ser bonita.
Em alguns minutos.
quer ser pobre.
Em segundos
quer ser as duas
E ainda ser rica.

Mas aí o tempo acaba.
Ela foge do papel.
Foge da mesa.
Corre da cabeça.

O poeta,
refém da poesia.
Espera a sua volta.
Manda cartas,
promete versos alexandrinos.
promete sonetos.
promete ritmo.
promete uma epopéia.

Mas ela não aceita.
Ela não quer tercetos.
quartetos.
Oitavas.
Ela quer ser livre.
ser tudo.
ser nada.

Quer poder fazer um verso. Único!

Ela sabe que pode tudo.
Poesia assina sua carta de alforria.
está com o povo agora.
Pagou com o dinheiro dos ricos.
Para falar aos pobres.

Coitados, ignoram-a.
Ela se abala.
mas sabe.
que a tarefa,
não é fácil.

Insiste.
Não lêem seus versos.
Persiste.
Não entedem suas palavras.
Não desiste.
Esnobam de suas estrofes.
Tanto assim,
esta,
nunca os traiu.

Ah, a nossa poesia.
É persistente.
Sempre ao lado do povo.
É viva.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pé

Pé preto de barro.
Esse pé não pisa no asfalto.
Esse pé só anda descalço.
É discriminado por sua pele,
suas unhas,
seus calos.

Anda só por um caminho.
Sem direção.
Sem rumo.
Sem solução.

Pisa nas pedras pelo caminho.
Não as do meio,
mas as da margem.
Quer outro caminho.
Mas não tem.
Quer mais.
Mas eles só conhece o outro 'mas'.

Os pés querem correr.
Mas o menino está cansado.
Tropeça.
(As pedras lhe tomam a esperança)
O irmão morre.
E nem estampa o jornal.
Um rico morre.
E vira preocupação nacional.

Não entende.
Não vê o fim do caminho.
Os pés querem correr.
O menino quer descansar.
Cabeça baixa,
como de costume.
Não olha pra frente.
O sol lhe cega.
Só olha pro chão.
Onde está seu destino.

Está perdido.
Não quer se deixar levar.
Ninguém lhe estende a mão.
Só palavras.
Palavras não agem na ação.
Só na contra-mão.
Tudo vira demagogia.
Queria ter pais,
queria ter familia.

Só lhe resta seus pés.
Que o levam para o caminho errado.
Eles querem correr.
Ele quer descansar.
Há uma arma.
Há tiros.
Os pés correm.
O menino descansa,
em paz.




quinta-feira, 12 de novembro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

Cada um.

Cada hora, tem o seu segundo.


Cada universo, seu mundo.


Cada respiração, seu suspiro.


Cada felicidade, seu riso.


Cada palavra, sua letra.


Cada céu, sua estrela.


Cada corpo, seu coração.


Cada amor, sua paixão.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Poesia da Alma

Alma nova,
inova agora.

Lá fora,
minh'alma
assombra
e devora a mente.
Que sente.
Que mente.

Repito aquilo que digo.
Não ligo.
Repito e minto.

Demasiado são as palavras que aparecem,
diferentes e mutantes.
Assaltam uivante,
como avalanche,
meu coração.

Afogo-me
Fico sem ar.
Tento respirar.
Não tem nada.
Não há palavras
para escrever o ar.
Para minha alma
não sufocar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Poesia revolucionária







Quando eu tomar o poder,
com a FOME vou acabar.

A pobreza vai embora.
Emitirei muitas notas.
Distribuirei a todos pobres.

Vou derrubar o atual regime atacando o castelo das editoras.
Ataques terroristas.
Com palavras sujas, imundas e feias.
Queimaremos livros.
Deixaremos as palavras livres.

Os best-sellers serão expulsos.
Só eles.
O dinheiro não.
O dinheiro fica,
para alguns poemas menos favorecidos.

Construirei um palácio para mim.
Onde eu, a poesia, possa recitar meus lindos versos.
versos longos, compridos e bonitos.

Os contos serão meus escravos.
Terão que procurar palavras para mim.
Palavras elegantes, raras, lindas e que rimem!

Depois da minha revolução,
todos os textos serão iguais.
(Exceto os contos que serão lacaios)
Todos terão participação e importância de modo igualitário.
(Exceto as poesias que terão as palavras mais lindas).

Ninguém sofrerá abuso das criticas.
Todas serão bem lidas.
Todas serão bem escritas
Na minha ditadura de palavras preferidas.


Imagem: INGRES, Jean-Auguste-Dominique, Napoleon I on the Imperial Throne - 1806,
Um conservador pintando um revolucionário, ou seria o contrário? Em outras palavras, um conto pintando a poesia.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Poesia envergonhada

Eu deveria te dizer, mas não sei se devo.
Não consigo falar... Tudo prende! As palavras não conseguem passar pela garganta.
As vezes as palavras são grossas demais,
e minha garganta é fina, delicada.

Não consigo ser rude.
As palavras ásperas machucam minha garganta.
Por isso eu digo palavras doces, logo após delas.
Pra sarar minhas cordas vocais.

Não consigo dizer por muito tempo.
Não tenho fôlego.
Canso rápido.
Canso rápido
Canso rápido.
Já cansei.

Digo rápido, porque tenho pressa.
Tenho pressa porque tenho vergonha.
Tenho vergonha porque sou impotente.
Como a impotência pesa nos meus ombros.

Ela é pesada demais pra mim,
fico vermelha.
De cansaço.
De tanto fazer força.
Como a impotência pesa nos meus ombros.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Poesia embreagada.

Num dia, numa mesa de bar, conversava com a poesia sobre poesias, quando ela se irritou e disse:
'Thiago, vai tomar no cú.
Pare de procurar palavras bonitas pra mim
para de procurar rimas pra mim
para de tentar me criar.

Use verbos feios e fáceis.
Use palavras que todos sabem.
Use metáforas simples.

Eu sou do povo, para o povo.
E não pra uns pequenos grãos que me entendem.
Eu sou feia, eu sou rude, não essas madames aí.
Eu repito as palavras -meu vocabulário é curto-
Eu suprimo virgulas, eu como acentos.
Eu tenho FOME.

Não me escreva para um,
me escreva para mil.
me escreva como o povo fala
não como um padre fala.

Porque quando um sacerdote fala,
ninguém entende.
E quando eu falar.
Todos tem que entender.

Não me escreva para enfeitar lindas salas.
Não me escreva para ser lida por doutores.
Me escreva para libertar.
Me escreva para ser lida em
bordéis,
esquinas,
botecos.

Não acredite em ninguém,
não queira as coisas fáceis.
As pessoas mentem.
As palavras mentem.
Todos são uns Hipócritas!''

Depois disso, ela pegou seu copo de cerveja e foi embora.
Devia estar bêbada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Série de poesias seriadas

Sempre foi de meu intuito escrever uma série de poesias, ou quase isso. Nesse mês de outubro, dedicar-me-ei somente a elas. Algumas vão sair boas, outrás más. Porém isso é comum, nunca a safra é totalmente perfeita. Sempre há um fruto podre.

O objetivo é fazer poesias com suas personalidades.

É uma tentativa.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Rio

Rio de Janeiro
Rio do mundo inteiro
Rio da montanha
Rio do mar
Rio de tanto te amar
Rio adorado
Rio de tantos nomes
Rio idolatrado
Rio sem fome
Rio que poderia ser Guanabara
mas não há nada melhor que uma boa risada

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Nada é como o verão.
Talvez o inverno não seja tão frio,
talvez o inferno seja um pouco rico.
Mas nada é como vocês verão.

A gente só vê a luz das estrelas,
e não as estrelas.
Nós só vemos as luzes na escuridão.
Então, do que vale ser bom?
do que vale ser pobre?

se a única maneira de ser feliz é sendo um nobre.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Linda.

( Para a mais bela, eu dedico essa poesia )

O que seria da rotina, sem a sua companhia?
Sem teus braços ou abraços.
Sem teus risos ou mimos.

Estar ao lado dela, enche-o de alegria.
E a vontade de continuar com ela, aumenta dia a dia.
Talvez seja nessas poucas horas que ele tem um pouco de sossego.
É como se deitasse na grama. Sem receio e sem medo.

Seu lindo sorriso,
e seu olhar
Fazem ele entrar no paraíso,
não querendo mais voltar voltar.

A sua simples beleza,
é inexplicável.
Vale muito mais do que qualquer riquesa.
Ela é única. É incomparável.


Seu cabelos com os mais perfeitos cachos,
que se encacham em mim.
Me prendem e me surpreendem.
Não é por um acaso que nossa história não terá fim.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Poeminha diminuto.

Se tudo no aumentativo fosse bom,
carinho seria carão.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Não pertube o vosso coração

Eu fujo de você.
Não te procuro, não te encontro, não te escuto e não te vejo.
Com medo de voltar a ter aquele velho desejo;
de te ter e não poder.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Bendito é o cachorro. Que sabe meus segredos, mas não fala.

Rosna, lati e chora. Mas não conta.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Privacidade entre o homem e o peixe.

Cresço,
Desço,
Esqueço.

Vou pro mundo, vou pro mar mas não vou fundo.
As ondas são mais fortes do que eu.
Os peixes têm mais sorte do que eu.

Teriam azar eles, se nascessem homens.
Tudo bem que não teria mais anzol, e eles veriam muito mais o sol.
Mas com o passar dos anos, eles teriam muito mais desgosto de terem nascido humanos.

Esse ser que prejudica a si mesmo. Nada merece. Nem mesmo um beijo.
A gentileza, a gratidão foram esquecidas. A delicadeza foi consumida.
Eu ajudo mas não me iludo. Há muito ainda por fazer. Há muito ainda que mudar.
Mudar as ruas, o país e a cidade
Mudar os rumos, as idéias e as vontades.
Transformar o que não pode ser mudado. Fazer gritar aquele mudo que anda calado.
Fazer delirar os surdos por música. E fazer olhar os cegos por arte.

Há de se protestar. Há de se fazer alarde. Ainda não é tarde.

Talvez ninguém consiga. Talvez ninguém tente. Talvez ninguém se importe.
Paciência, meu amigo. Tomarei meu porre e preparei a minha morte.

Morro cedo mas vou-me tarde.
E depois que os peixes decobrirem que o sol arde, vão prefirir ficar no mar.
E que se foda a minha vontade. As ondas não vão parar.
Maldito tu, que és homem. Maldito tu, que és inteiro.
Sorte porém tem os peixes, que não vão ao meu enterro.