A nova gripe chegou com tudo. Assim que chegou quis ir direto para o seu quarto. No onibus, ainda no caminho, ficou imaginando como seria ele...Primeiro imaginou um azul, depois um verde, quando chegou lá era de fato azul, e ficou satisfeita - eu combino com azul-pensou. Depois que conheceu o quarto, desceu as escadas e foi no quintal, falar com sua vó, que estava na cadeira de balanço, fazendo tricô. Não entendia muito o que ela falava, dizia tudo em espanhol, a sua neta apesar de nascer no México se mudou bem rápido de lá e sabia só o básico. Desse modo, ela apenas compreendeu poucas palavras da anciã, que se mostrara ser bastante experiente. Entendia algo como 'na minha época', 'preguiçosa', e outras coisas mais enroladas. Tudo em espanhol. Sim, caro leitor, sua vó é espanhola, daquelas bem tradicionais.
A menina se irritou. Foi pro quarto. Pensou em fugir- maldita velha!-pensou alto. Porém aí ela parou, se arrependeu no que poderia ter dito, mas pensou! Foi uma fúria repentina. Sentia muita admiração por sua vó, que outrora fora uma grande celebridade no mundo, reconhecida por todas, comentadas por todas as gerações que se passaram e que agora estava velha recolhida no quintal da sua casa aproveitando sua aposentadoria. Todavia, ela exigia muito da sua neta, botava pressão por ela ser da familia.
E exigia muito da neta. E a netinha ficara triste em saber que a tinha decepcionado.Talvez devesse pedir alguns conselhos a ela, algumas dicas. Se alegrou com a idéia, agora boa, e foi correndo para aprender.
E os passos foram se confundindo com os espirros e foi correndo feliz.