sexta-feira, 30 de julho de 2010

Encomenda

Fazer textos sob encomendas é como pedir às Idéias preguiçosas para se levantarem e trabalharem. Vamos! Levantem! Trabalhem!- Exalta o autor com energia, e elas respondem graciosamente com longos bocejos. Trabalhar um texto é como preparar uma lavoura. Planta-se a Ídéia, cuida dela, com bastante carinho se ela for boa ou pode ser com bastante rigidez e energia se for indisciplinada, e depois disso, colhe-se o fruto: o texto. Ora, nem sempre a lavoura rende, depende de vários outros fatores além do trabalho do autor e da boa vontade da Idéia. Se esta for preguiçosa trará um texto lento, com palavras vagas. Provavelmente dará sono ao leitor, e por conta disso, não irá nunca vê-los. Se porventura ela for entusiasmada, pode proporcionar um bom texto, mas isso não é regra, pode ser atropelado e atrapalhado. Outra variante é o autor. Ele tem que ter dedicação e acreditar na Idéia, faltando isto, no mínimo vai sair um texto desacreditado, por conta da Idéia fraca.... e olha que as vezes ela poderia até ser forte, mas precisa de apoio.
E assim segue a longe jornada pelas palavras que querem ser lidas e outras esquecidas. O texto forçado sai assim truncado. Talvez não atenda as exigencias do Mercado, como são feitos os pedidos de encomenda, e acaba esquecido nas prateleiras. Até o cliente que exigiu palavra por palavra se desinteressa. Resta só a poeira, as baratas e os ratos para roerem palavra por palavra...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Observações




- Olha, já é meu terceiro cigarro e o maço está acabando. Acabou-se também o amor. Pode fazer noite, dia, chuva, sol. A revolução também se esvaziará. Nada irá ser como o amanhã. Sua ansiedade pela noite e suas estrelas só vai estragar o luar. Não fique decepcionada se - pausa para acender o cigarro - eu for embora agora. Não há tempo. Os segundos estão perdidos. Os minutos são inúteis. Já não tenho certeza da hora. Os dias estão vazios. Semanas passam como brisa...Minhas palavras que outrora já lhe trouxeram prazer, hoje trazem a amarga dor... sinto esse gosto desagradável em minha boca, como se fossem farelos das palavras ao sairem da minha garganta. Não lhe quero mal. Nem quero que me entenda. A confusão que chegou a mim não pode ser simplificada a você. São tantas novas sensações, tanta informação ao mesmo tempo que é necessário liberdade para fita-las, aprecia-las, deixarem elas irem ( se elas quiserem ) ou prende-las se for necessário. Eu preciso de liberdade para prender. É preciso dizer, proclamar a liberdade, para suprimi-la a cada parte de mim.
A cada parte de você.
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Foto:
Acaua Fonseca

sábado, 3 de julho de 2010

As leis não bastam


Os lírios não nascem da lei.
C.D.A
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Foto: Jarina

sexta-feira, 2 de julho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

CALA BOCA GLOBO

No final do jogo do Brasil contra a Costa do Marfim aconteceu algo peculiar. O treinador Dunga, que já vinha se desentendendo com a Globo por um tempo, desafiou a emissora em rede mundial e esta, manifestada na imagem do jornalista Alex Escobar, dobrou-se ao pés do técnico da seleção.

Porém, como é sempre de se esperar, a emissora contra-atacou e foi para cima do treinador. Primeiro com mentiras, no qual não deixou claro o motivo da briga, em que este foi a NEGAÇÃO de uma entrevista exclusiva com três jogadores com a Fatima Bernardes e o Alex Escobar para ser transmitido para o Fantastico. A Rede Globo, tão acostumada com essas regalias, ficou espantanda com a posição de Dunga em negar veemente esta possibilidade: Ou a entrevista é para todos ou não é pra ninguém. A questão é que esta entrevista foi negociada com Renato Mauricio Prado, chefe de redação de esportes da Rede Globo e com o próprio presidente da CBF, Ricardo Texeira, que autorizou a entrevista. O que eles não esperavam foi a respota do treinador, sempre convicta: “Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo (Teixeira) que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!”.

No momento da ofensa de Dunga ao Alex Escobar, na coletiva de imprensa, este conversa ao telefone com o Tadeu Schmidt reclamando por conta da entrevista não realizada. Quando o Alex Escobar foi interpelado por Dunga, este recuou e se manteve calado. Horas depois, no Fantastico vem o nosso jornalista Tadeu Schmidt lendo um editorial pífio, atacando Dunga.



Pode-se considerar que realmente a atitude do tecnico da seleção brasileira não foi compátivel com seu cargo. Todavia, é a primeira vez, e isso tem que ser louvado, que um tecnico da seleção brasileira ataca frontamente a emissora mais poderosa do país. Outros como Brizola, que numa tentavia da Globo de usurpar a sua eleição vitoriosa teve o direito de ler uma carta em resposta a esta, e também Requião, governador do Paraná, que criticou brilhante a emissora.



ps: A Globo, no Paraná, atende pelo nome de Gazeta do Povo




Essa Copa pode ser crucial para a Rede Globo. É claro que ela torce para o Brasil chegar a final. Não por amor a nossa nação, mas sim por amor ao dinheiro, ao capital, expresso pelos patrocinios.

A vitória do Brasil pode ser considerada o começo da derrota da Globo... o que parece para mim, uma esperança distante, mas pode ser o início de algo maravilhoso... Não está sendo discutido aqui a liberdade de imprensa, esta é nunca deve ser posta em pauta, discutida, sempre tem que ser assegurada. O que não pode é uma impressa lacaia de interesses de pequenos grupelhos, interese de terceiros que só querem tirar lucro de tudo que se vê.

A imprensa global já está caindo em descrédito. Na politica, critica-se o governo federal por não fazer, por não deixar de fazer. Nunca se está satisfeito, sempre há criticas e ataques. Isto é excelente para uma democracia, porém, tais criticas, tais oposições, tem que ser fundadas num interesse nacional, da grande massa e não para fazer oposição por não se está governando para poucos. Com 95% de aprovação, o Governo Lula mostra que está blindado a estas tentativas inúteis dos meios de comunicação. Agora é Dunga que se mostra na frente da seleção brasileira, resistindo a ataques incessantes.

Já começou o Cala Boca Galvão, Cala Boca Tadeu Schmidt, agora tem que ser Cala Boca Globo!

Por uma mídia responsável
Fontes:
Entrem na comunidade:

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Umshini wam

Meu rifle, meu rifle.

Dei-me meu rifle.

Por favor, traga meu rifle.

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África livre.

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sábado, 5 de junho de 2010

Teatro Aberto - e grátis



engraçado,

os sons dos tiros
( dos quais eu já até distingo)
já não me causam
nem medo,
nem espanto.



Lá onde ricocheteiam

atrás de uma cortina bem

distante

onde o som é mais

alto

sem fila

para o espetáculo

já não sentem

nem medo

nem espanto.




quem não escuta

a grande

melodia

a linda

sinfonia

(dos mais altos riscos

que rasgam o céu)




não tem o prazer

de ver

os maestros marginais.

não tem o prazer

de escutar

o som dos metais


Os atores

desfilam com seus

figurinos

Há papéis

importantes

com roupas

elegantes.

Não há maquiagens

para os figurantes.




Os papéis secundários

trocam-se

sem o aviso do diretor.

há sempre na espera

mais um jovem ator.

empolgado para atuar.

entusiasmado...

( já entrou outro em seu lugar)




é sempre o

mesmo palco

é sempre a

mesma plateia.




A mesma tragédia.


que não é grega.


é daqui.




que já estou cansado de viver,

e outros,

de morrer...
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Foto: Urbano Holanda