sábado, 8 de janeiro de 2011

Dicas culturais para as férias

Venho aqui compartilhar humildemente uma pequena contribuição para o que se fazer nas férias. Muita das vezes ficamos em casa sem fazer nada, reclamando da vida, então pensei em pesquisar para filtrar o que está acontencendo de bom ( culturalmente falando) no Rio de Janeiro. Isso aqui é um pequeno recorte, leitor.

Teatro


Um Coração Fraco - Até o dia 30/01

Priscilla Rozenbaum dirige “Um Coração Fraco”, adaptação do texto “A Felicidade”, de Dostoievski, para o teatro, assinada por Domingos Oliveira. Na montagem, o jovem Vassia (Caio Blat), pobre e frágil, trabalha em uma repartição pública como copista. Seu companheiro de quarto, Arkaddi (Cadu Fávero), é alto e forte, mas igualmente pobre. Na noite de Natal, Vassia se apaixona por Lisanka (Isabel Guéron), uma moça da idade dele e também pobre. Resolvem casar e viver juntos – com a mãe e o irmão dela, menino ainda. E naturalmente, Arkaddi.

Para ganhar um dinheiro extra, Vassia se compromete em preparar para o Ano Novo uma grande quantidade de cópias. A paixão por Lisanka, no entanto, impede que o rapaz tenha qualquer outro pensamento a não ser o amor e a felicidade, e ele acaba por perder o prazo de entrega do trabalho. Entre a paixão e a tarefa impossível, Vassia ultrapassa suas forças.

Teatro Sérgio Porto

Rua Humaitá, 163

Tel.: (21) 2266-0896

Sextas, às 20 h, sábados às 21h e 23h, e domingos, às 20h

Este espetáculo não é indicado para menores de 14 anos

Preço - R$30,00 - Inteira.


Pequenos Burgueses - 03/01 até 01/02

Depois de ser aplaudido de pé no Festival EntreMito, em Portugual, o Grupo Nós do Morro apresenta sua nova produção, “Pequenos Burgueses”. Com adaptação de Luís Paulo Correa e Castro do texto de Maximo Gorki (1868-1936) e direção de Guti Fraga e Fátima Domingues, fica quatro semanas em cartaz no Teatro das Artes.

Através de um mosaico de situações e personagens da vida russa na virada do século XX, o espetáculo conta a historia do conflito entre membros de uma família de comerciantes. Dominada por pai autoritário, o filho intelectual e a filha deprimida têm seus impulsos reprimidos. O único insurgente é o filho adotivo, o ferroviário Nill. Os personagens vivem num asfixiante círculo familiar, revelando-se quase sempre impotentes para vencer as barreiras.

O elenco é composto por André Santinho, Carlos Silva, Calucha Câmara, Cida Costa, Danilo Batista, Erick, Flávia Coutinho, Marcello Melo, Mariana Quintão, Marília Coelho, Pablo Sobral, Pierre Santos, Priscilla Marinho e Renan Monteiro.

Teatro das Artes

R. Marquês de São Vicente, 52 - Shopping da Gávea / RJ

Tel: (21) 25406004

Segundas e Terças às 21h

Este espetáculo não é recomendado para menores de 14 anos

Preço: R$50.00 - Inteira


Estilhaços
- 06/01 até 20/03

Eduardo Wotzik dirige seu novo espetáculo no Espaço I do Museu do Universo, no Planetário da Gávea. Com texto bem-humorado escrito pelo próprio diretor, a peça é montada a partir de crônicas sobre o universo contemporâneo. Os atores Analu Prestes, Clarisse Derzié, Ricardo Kosovski e Marcos França interpretam 45 divertidas histórias, através de depoimentos e observações sobre o cotidiano.

Para dar a sensação de que o texto pertence a todos, os atores interpretam no mesmo nível da plateia em um palco com formato de instalação. A cenografia é composta por um espaço todo branco com uma grande instalação, composta por 90 cubos de fiberglass, com iluminação própria em cada um deles.


Espaço I do Museu do Universo – Planetário da Gávea
Rua Vice Governador Rubens Berardo, 100 – Gávea

Preço: R$80,00 * Inteira.

A Lua vem da Ásia - 05/01 até 27/02
Em adaptação do livro homônimo de Walter Campos de Carvalho, o monólogo conta, em forma de diário, a trajetória de um homem incomum em busca de um entendimento e justificativa perante a lógica do universo em que vive

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)
Horário: Quarta a domingo, às 19h
Local: Teatro I | Rua Primeiro de Março, 66 - Centro
Preço: R$10,00 * Inteira


Espaço SESC
- Vou fazer um tópico somente para esse espaço já que há três peças que parecem ser boas e também se encontram em um preço acessível.

Espaço Sesc
Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana
Preço: R$16,00 * Inteira

R & J de Shakespeare – Juventude Interrompida - Estreia 13/01 - 06/02

Uma das montagens mais ousadas da célebre historia de amor de William Shakespeare estreia no Rio de Janeiro. João Fonseca dirige quatro atores que reencenam o clássico em um cenário inusitado.

A peça acontece em uma escola católica extremamente conservadora, onde quatro estudantes exploram ‘Romeu e Julieta’. O livro é uma forma de fugir da repressão em que vivem, e através do texto eles descobrem suas próprias sexualidades. Ao lerem o livro começam a viver propriamente os diálogos e emoções do clássico.

Sem trocas de roupas ou de cenário, a tragédia se desenrola basicamente através das atuações e do jogo cênico proposto por Calarco, com a “peça dentro da peça”.


Admirável e Só para Selvagens - Dia 07/01 - 30/01

Com direção de Hugo Rodas e Miriam Virna, “Admirável e Só para Selvagens” inspira-se livremente no clássico “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. O espetáculo se passa no século 27, quando Bernard Marx e Lenina são confinados em um universo similar ao de um reality show. Eles fazem parte de uma experiência para mostrar como a vida funciona sem o Soma, a substância legalizada pelo Estado e que subtrai qualquer sensação de desconforto e angústia. Desta forma, pela primeira vez lidam com as emoções.

Bernard e Lenina são vigiados 24 horas por Mustafá Mond, um dos poderosos administradores do Estado Mundial, que prega a abolição da arte, da religião e do amor em favor do bem-estar da comunidade.

A peça centrada em quatro personagens interpretados por dois atores. Miriam Virna interpreta Lenina e Mustafá Mond, enquanto Alessandro Brandão interpreta Bernard e John, o Selvagem

Besame Mucho 07/01 - 30/01

Uma história de amor e amizade entre quatro amigos, que durante duas décadas (de 1962 a 1982) tiveram suas vidas marcadas por todo contexto social, cultural e comportamental da época.


Exposições

Há várias exposições permanentes no Rio de Janeiro e também outras excelentes que ficam temporariamentes. Aqui vai algumas dicas.

Bem do Brasil - 10/12 até 20/02
Acontece no Paço Imperial. A exposição constitui uma justa homenagem e um reconhecimento à criatividade de brasileiros e brasileiras que legaram oa país e às gerações futuras, ao longo dos séculos, múltiplas expressões materias e simbólicas que atestam as bases da nossa identidade.
O acervo conta também a história do IPHAN e as disputas políticas que envolviam a entidade. Uma excelente exposição que mostra a força cultural brasileira.
Endereço: Praça 15 de Novembro, 48 - Centro


Museu Nacional de Belas Artes:
Av. Rio Branco, 199 - Centro
Rio de Janeiro - RJ


Contará com um especial de comemoração de 74 anos. Confira as atividades

13 de janeiro de 2011, às 15h - Solenidade de entrega da Medalha Quirino Campofiorito às pessoas que contribuiram para o desenvolvimento do MNBA no período de 2006 a 2010. Lançamento do Anuário do MNBA nova fase – volume I. Entrada franca.

19 de janeiro de 2011, às 15h - Tarde Cheirosa – Artista Josely Carvalho e a curadora da exposição, Laura Abreu, fazem uma visita guiada à mostra Nidus Vitreo, situada no 2º piso. Entrada franca.

25 de janeiro de 2011, às 15h - Mesa redonda com a critica de arte Maria Luiza Távora - homenagem a falecida artista plástica Fayga Ostrower. Entrada franca.

27 de janeiro de 2011, às 15h - Mesa redonda com o critico e artista Ferreira Gullar, o pesquisador Antônio Carlos Secchin, e os poetas Salgado Maranhão e Carlos Dimuro. Tema: Arte e literatura. Entrada Franca.

Além das exposições que estão em cartaz:
Mapa da Mina
Nidus Vítreo - Diário de Cheiros
Ferreira Gullar

E o seu acervo permanente que é muito rico.

Cinema

Na dica de cinema eu indico o cinemateca do Centro Cultural do Banco do Brasil. Comprando um "cine-passe" de um valor de R$10 (inteira) você tem direito a assistir todos os filmes que estão em cartaz no cinema além de poder usufruir a videoteca do CCBB, que é muito rica em filmes antigos e difícies de achar. Além disso, você ainda tem direito a um acompanhante. Ou seja, incrivelmente barato já que você pode assistir quantos filmes quiser e puder num prazo de um mês por apenas R$5,00 se você for estudante ou correntista do Banco do Brasil. Basta adquirir o ingresso na bilheteria no primeiro andar.


A Critica
.

Esta seção não parte de nenhuma dica cultural ao leitor. Esta seção pede para que o leitor reflita em todos os lugares no qual eu indiquei. Você pode reparar facilmente que, principalmente na área de teatro, as peças estão concentradas na Zona Sul e também com um preço não muito acessível. Eu e obvimante este blogue luta pela expansão do acesso cultural. A Zona Norte e principalmente a Baixada Fluminense carecem de atividades culturais. Existem as Lonas Culturais, porém elas são insuficientes. O que nós vemos é uma concentração cultural na Zona Sul e seus arredores ( onde misteriosamente tambémestá concentrada a população mais rica do Rio de Janeiro). Para a população mais carente: NADA

Os Centros Culturais, concentrados no Centro da Cidade, eles não estão lá para ficar mais próximo de todos, ingênuo leitor... É uma herança histórica da antiga capital do Brasil. O Centro Cultural Banco do Brasil, Museu Nacional de Belas Artes, Paço Imperial, Biblioteca Nacioanal, todos esses e muitos outros são resquícios culturais da antiga cultural que ainda estão vivos. Ainda bem.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Que venha 2011

A Posse

de repente
no país do
bacharel de cananéia
dos bacharéis de canudo e
anel no dedo e dos
doutores de borla e capelo
no país dos
coronéis
latifundiários de baraço
e cutelo (melhor
dizendo de serrote elétrico
corta-homens)
de nobres de curul e
pobres no curral
um metalúrgico (sem
anel de grau sem
toga doutoral sem
sabença de papel passado) um
torneiro mecânico
formado na vida
(Severina) assoma
no altiplano de
brasília e toma
posse
da república numa
apoteose de povo
dando novo sentido à palavra
pátria
Haroldo Campos

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

2011

Em 2011,
por favor,
apenas em 2011,

não suporte,
o intolerável,
não apoie,
o errado,
não critique,
o certo,
não acomode-se,

só em 2011,
por favor.

**

Em tempo, os meninos MC's do Complexo do Alemão foram libertados. Apesar da demora, nada mais do que justo, o que desde do princípio era injustificável.


Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/12/27/stj-liberta-funkeiros-do-complexo-do-alemao-923369482.asp

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A UNE de volta para casa

A história da Sede
No dia 1° de Abril de 1964, no primeiro dia da ditadura civil-militar, houve a ocupação e a destruição do prédio da UNE situado na Praia do Flamengo. O regime fez questão desse ser o seu primeiro ato, na tentativa de com isso, destruir todo o simbolismo do movimento estudantil, que eles já sabiam, que seria o seu maior opositor.

Em 1980, no apagar das luzes do regime, novamente, com uma onda de reacionarismo, eles acabaram de fazer o "serviço" incedianto e demolindo o prédio, então antiga sede da UNE, que era considerada ilegal pela Lei Suplicy Lacerda de 1965.
No prédio, antes de ser a casa dos estudantes, funcionava o Clube Germânia e este, pela campanha à época em 1942, foi tomado pelos estudantes num ato contra as potências do Eixo ( Alemanha, Japão e Itália), contra o Nazi-fascismo e a favor da paz. Desde então, o presidente Getulio Vargas reconhece a entidade e doa o prédio para ser a sede da entidade a partir de então. Em 1994 o terreno passa ser reconhecido como de propriedade da UNE, porém apenas em 2007, com a ocupação de milhares de estudantes, é que a UNE passa ter a posse definitiva deste, porque até então funcionava um estacionamento ilegal. Ontem, no dia 20 de dezembro de 2010, se dá o início das obras da nova sede, com o projeto doado do arquiteto Oscar Niemayer. Este marcou o evento sendo sempre aplaudido, mostrando vigor aos seus 103 anos de idade.
Este que aqui vos escreve, fez uma pequena e humilde cobertura do evento, na tentativa de ser uma alternativa a grande mídia, que como lhe é apropriado e conveniente, o faz sob uma lente mais conservadora.

A reconstrução

Presente ontem no Ato, o presidente Lula considera a reconstrução da sede da UNE a consolidação da democracia brasileira. Essa entidade, que assim também como a UBES ( União Brasileira de Estudantes Secundaristas) sempre esteve contra as ditaduras brasileiras, tanto a do Vargas e a mais recente dos militares. E que igualmente, tanto sofreu com elas, tento toda a sua executiva e corpo de direção no hall dos desaparecidos do regime. Entre eles e também o homenageado da festa, Honestino Guimarães, presidente da UNE em 1971 e desaparecido politico até hoje. Toda essa raiva dos setores conservadores da sociedade de fronte aos movimentos sociais e, em especial, o movimento estudantil é simbolizada pela destruição da antiga sede. Então, além da consolidação da democracia, a reconstrução da sede significa a derrota daqueles que, como bem frizou Aldo Arantes, pensavam que com a demolição de pedras iriam também destruir nossos sonhos. Hoje a UNE está a frente de inúmeras batalhas, na árdua e eterna luta pela reforma universitária que expanda vagas e democracia nas universidades, na luta pelo acesso democrático à universidade e também, e esta ultima e vitoriosa, a luta dos 50% do Fundo Social do Pré-sal para a educação brasileira, principalmente a de base.

Por fim, dois discursos marcantes no evento. O primeiro é do ex-presidente da UNE Aldo Arantes, importante articulador da campanha pela legalidade na renuncia de Jânio Quadros e pela posse de João Goulart, no qual a UNE teve transferida a sua sede temporariamente para o Rio Grande do Sul, para que, junto de Brizola instalar a rede da legalidade.




Por último o discurso do presidente Lula, um na integra outro o meu registro. É claro que nesses oito anos de governos o Brasil teve avanços principalmente na educação universiversitária e no ensino técnico, com mais vagas e a consolidação da Universidade Pública e com a construção recorde de escolas técnicas. Porém todos nós sabemos, e a UNE sabe que ainda temos que avançar ainda mais, pela popularização da universidade, mais bolsas para pesquisa e uma educação de base cada vez mais qualificada.




Fotos da demolição:
http://www.bricabrac.com.br/une1980/index.htm

Mais noticias:


Portal R7:
http://noticias.r7.com/brasil/noticias/lula-afirma-que-construcao-de-predio-da-une-e-consolidacao-da-democracia-20101220.html
Portal G1:
http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/12/lula-lanca-pedra-fundamental-de-predio-da-une-no-rio.html
Portal Uol/Folha de São Paulo:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/848742-lula-lanca-pedra-fundamental-de-nova-sede-da-une-no-rio.shtml

sábado, 18 de dezembro de 2010

Liberdade





funk
a elite não escuta

depois do gozo
ninguém lembra da prostituta

presídio
a elite não visita

todas as vagas são reservadas
para a periferia

as vezes cansa ver todos os dias, a mesma coisa, a mesma coisa, a mesma coisa.

A mesma coisa,
cansa.
A mesma cansa,
coisa.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mil faces




Te amo é bom dia
em amores de rotina.
Onde se fala por educação
e se responde por obrigação

Amor do cotidiano
paixões do dia a dia
os mesmos ares
que sufocam a alegria

Te amo é boa noite
em amores clandestinos
que subvertem a ordem
em que estamos mantidos

Amores escondidos
preparando mais um ilícito
lábios apurados
a procura de um crime

Te amo são só palavras
para amantes casados
que dividem a mesma cama
mas não dividem o mesmo quarto

Amor de contrato
de frouxas escritas
Quem ficará com o carro?
Quem curará a ferida?

Te amo é diamante
para jovens virgens
que se excitam o bastante
para buscar a vertigem

Amor dos sonhos
de pura imaginação
muito desejo
e pouca ação.

Te amo é poesia,
sempre em busca
de alguma
heresia.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

tarde qualquer




A pilha de livros em cima da mesa, pegando poeira. O café de ontem, ou de domingo, que já está frio. A casa vazia, só as baratas lhe fazem companhia. A porta meia aberta. A toalha molhada em cima da cama. A janela aberta, deixando entrar a chuva. A tv ligada num canal qualquer. Meias jogadas ao chão, cobertas por cuecas sujas. Roupas viaradas, travesseiros amaçados. Cinzeiro lotado, maços esgotados. Pia cheia de loça suja. Pratos e copos imundos. O queijo mofando na geladeira, junto com os tomates. Armários vazios, cavernas das aranhas.

Evidências de uma vida morta,
que já está cansada de viver.